Audiência Pública em Belmonte expõe insatisfação da população com serviços da Coelba.

Publicado por: admin em 27 de maio de 2025

Na manhã desta terça-feira (27), a Câmara Municipal de Vereadores de Belmonte foi palco de uma Audiência Pública que reuniu representantes da Coelba, autoridades municipais e uma população indignada para discutir os constantes problemas no fornecimento de energia elétrica do município. O plenário ficou completamente lotado. Participaram do encontro o prefeito Iêdo Elias, o promotor de Justiça Dr. Bruno Gontijo, o presidente da Câmara, vereador Luluca da Ambulância, a procuradora do município, Dra. Trícia, além de secretários, vereadores e representantes da sociedade civil.

Coelba apresenta justificativas e plano de ação.

Representando a concessionária, o gerente de operações Guilherme Marcelino explicou que 72% dos problemas registrados na rede elétrica de Belmonte são causados por quedas de árvores e galhos, além da incidência de raios. Segundo ele, a rede que atende o município possui 545 km de extensão, passando por áreas de difícil acesso, como mangues e vegetação densa. O gerente apresentou um plano de ação que inclui inspeções na rede, manejo de vegetação e instalação de novos equipamentos de proteção.

No entanto, descartou a construção de uma nova subestação no município, alegando que a atual, com capacidade de 6,25 MVA, está operando com uma demanda de apenas 1,8 MVA. Sobre o episódio recente em Boca do Córrego, onde os moradores ficaram cinco dias sem energia, Guilherme explicou que o restabelecimento exigiu o trabalho de 30 funcionários, enfrentando grandes dificuldades de acesso.

Questionado pelos vereadores e representantes da comunidade, o gerente negou a necessidade de aumento no efetivo permanente, mas admitiu que contratará equipes extras durante a execução do plano de manutenção.

População cobra respostas efetivas

Durante a audiência, os moradores expressaram sua revolta com a má qualidade do serviço prestado pela Coelba. Foram relatadas diversas situações de prejuízos com queima de eletrodomésticos, além de constantes oscilações e apagões que impactam diretamente o comércio, a indústria e a vida cotidiana da população. O senhor Luís da Ypiranga, representante da sociedade civil, cobrou mais transparência, efetivo adequado e a instalação de um escritório fixo da empresa na cidade. Contudo, os representantes da Coelba não apresentaram respostas claras quanto a essas reivindicações.

Ministério Público exige medidas concretas

O promotor de Justiça, Dr. Bruno Gontijo, foi enfático ao afirmar que cobrará formalmente da Coelba respostas objetivas e a adoção de medidas efetivas para resolver os problemas enfrentados pela população. Entre os principais pontos cobrados estão:

  • Ampliação do efetivo para atendimento rápido e eficaz;
  • Apresentação de laudo técnico detalhado sobre as causas das oscilações de energia, principalmente na zona rural;
  • Estudo sobre a viabilidade de utilizar Córrego Vermelho como base de fornecimento para Boca do Córrego;
  • Instalação de uma equipe permanente da Coelba no município;
  • Avaliação da construção de uma subestação no distrito de Barrolândia para melhorar a estabilidade do fornecimento.

“O nosso alvo aqui é a Coelba, uma empresa que lucra bilhões e oferece um serviço extremamente precário para nosso povo. Iremos cobrar de forma dura e buscar todos os meios legais para garantir que a população tenha um serviço digno”, afirmou o promotor.

Prefeito promete ações judiciais

O prefeito Iêdo Elias também não poupou críticas à concessionária. “Se não for pelo amor, será pela dor. Estamos prontos para ajuizar uma ação com multa pesada. Não aceitaremos mais sermos tratados com descaso. A nossa população merece respeito e serviços de qualidade”, declarou.

Câmara reforça apoio à população.

Encerrando a audiência, o presidente da Câmara, Luluca da Ambulância, destacou que o Legislativo continuará ao lado da população nessa luta. “Aqui está representada a voz de 25 mil pessoas que há muito tempo sofrem com o descaso da Coelba. Esta audiência não é o fim, mas o começo de um movimento por soluções concretas”, afirmou.

A expectativa agora é que a Coelba responda oficialmente às demandas apresentadas e que, se necessário, as autoridades municipais e o Ministério Público avancem para medidas judiciais visando garantir os direitos da população belmontense.

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