Uma equipe de mergulhadores brasileiros conseguiu finalmente identificar os destroços do navio “Belmonte”, que desapareceu em 1941 enquanto transportava cacau e café de Belmonte e Ilhéus para a capital baiana. O processo de identificação, concretizado este ano, é resultado de uma investigação que começou em 2018 e envolveu diversas pistas e a colaboração de pesquisadores.
A jornada para encontrar o “Belmonte” teve início em 2018, quando o mergulhador László Mocsári, junto com três colegas, negociou o ponto do naufrágio com pescadores locais. Os pescadores haviam descoberto os destroços em 2010 enquanto perseguiam um peixe cioba. Durante uma primeira visita ao local, um dos pescadores apresentou aos mergulhadores alguns artefatos encontrados ali. Entre eles, destacavam-se:
Com o telégrafo em mãos, os mergulhadores começaram a coletar dados sobre o navio. Uma das fontes de pesquisa foi o livro “Naufrágios e Afundamentos na Costa Brasileira”, de José Góes de Araújo, que confirmou a existência de um navio com o mesmo nome que havia naufragado em 1941. A garrafa da Fratelli Vita também reforçou a hipótese de que o navio poderia ter sido abastecido em Salvador antes de sua viagem final. A confirmação definitiva veio quando Mocsári contatou Maurício Carvalho, biólogo, mergulhador e pesquisador de naufrágios. Através de uma pesquisa minuciosa em jornais da época, Carvalho encontrou outros pontos em comum que selaram a identificação: tratava-se, de fato, do naufrágio do “Belmonte”.
László Mocsári explicou que a parte mais proeminente dos destroços é o motor a diesel de três cilindros da embarcação. A análise sugere que o casco se abriu longitudinalmente e tombou lateralmente. A equipe de mergulho também encontrou:
A identificação do “Belmonte” representa um marco importante para a história naval brasileira e para a comunidade de pesquisa de naufrágios, revelando mais detalhes sobre um mistério submerso por mais de oito décadas.