A escalada de violência com requintes de crueldade extrema tem imposto um clima de terror na Costa do Descobrimento. A região, que já enfrenta altos índices de criminalidade, registrou a segunda decapitação em menos de uma semana, reforçando o medo na população local. Os crimes são atribuídos à recente aliança entre facções criminosas do Sudeste e grupos locais.
Nesta segunda-feira (08/09), o corpo de Sara Cristina Ferreira de Souza, de 18 anos, foi encontrado em uma estrada de terra em Pindorama, distrito de Porto Seguro. O cadáver, que tinha perfurações de um instrumento cortante e os dedos de ambas as mãos parcialmente decepados, foi localizado a cerca de um quilômetro da BR-367. A cabeça da vítima não foi encontrada.
Segundo a polícia, a mutilação dos dedos pode ter sido uma referência ao Comando Vermelho, facção criminosa à qual o número dois é associado. Familiares de Sara informaram que ela saiu no sábado (6) para uma festa e mandou uma mensagem para a mãe de madrugada, mas não fez mais contato. A jovem, que morava no bairro Parque Ecológico, não tinha envolvimento com a criminalidade e deixa uma filha de apenas quatro meses.
O crime em Porto Seguro ocorre poucos dias após outro caso chocante em Eunápolis, onde a cabeça de uma jovem de 22 anos foi encontrada dentro de uma sacola plástica na Rua São Lourenço, no bairro Santa Lúcia. Junto ao macabro “bilhete”, havia uma mensagem relacionada a uma facção. Edinácio Sampaio de Jesus, de 38 anos, que desapareceu na mesma ação, pode ter sido levado por engano e, segundo a polícia, também teria sido morto.
O secretário estadual da Segurança Pública, Marcelo Werner, classificou os crimes como “atos de terror e barbárie que exigem resposta imediata”. Em declaração, ele enfatizou que não é correto rotular as cidades da Bahia como violentas por natureza. Para o secretário, a violência é imposta por um grupo restrito de criminosos que, ao se aliar a facções, busca gerar medo na população e transmitir a falsa sensação de que toda a comunidade está dominada.