A cadeia produtiva de mel e derivados no Sul da Bahia enfrenta um grave colapso após a morte massiva de enxames de abelhas nos municípios de Itapebi e região. Apicultores locais estão em estado de alerta e contabilizam prejuízos milionários, com a estimativa alarmante de que aproximadamente 2 milhões de abelhas já teriam morrido em apenas cinco meses desde janeiro deste ano. A principal acusação dos produtores recai sobre a empresa Veracel Celulose. Segundo os apicultores, o uso de substâncias químicas pela companhia no combate a pragas do eucalipto – monocultura que domina extensas áreas na região – tem sido o responsável direto pela mortandade.


A tragédia ambiental se traduz em um prejuízo financeiro estimado em R$ 128 mil reais para os apicultores. A suspeita dos produtores ganhou respaldo em um laudo técnico obtido por eles, realizado com amostras das abelhas mortas, que diagnosticou a presença de inseticida. A substância, utilizada nas plantações da Veracel, é apontada como a causa da intoxicação e do colapso das colmeias. “Encontramos as abelhas mortas dentro das caixas, é um desastre que destrói anos de trabalho e coloca em risco não apenas nosso sustento, mas a polinização da região,” relata um apicultor local, que preferiu não se identificar.

A postura da Veracel Celulose diante da crise tem sido alvo de críticas contundentes. A Associação dos Apicultores de Eunápolis relata que tentou, sem sucesso, o diálogo para buscar reparação. Segundo a Associação, a empresa tem se mantido omissa, não apresentando até o momento medidas concretas de reparo pelos prejuízos materiais e danos ambientais. Os apicultores destacam que a omissão acentua o grau de imprudência no manejo de agrotóxicos em áreas próximas a apiários, colocando em risco a apicultura – crucial para a polinização e a produção de alimentos – e também a saúde de moradores vizinhos às plantações.

A equipe de reportagem buscou o posicionamento da Veracel Celulose. Em resposta, a empresa esclareceu e reafirmou seu compromisso com a apicultura regional, contestando as acusações sobre o uso de inseticidas prejudiciais. “A Veracel Celulose esclarece que o único produto utilizado de forma aérea, quando necessário, é o controle biológico Dipel. O produto, aprovado pelos órgãos reguladores (MAPA, Anvisa e Ibama), não causa impacto às abelhas ou ao meio ambiente, conforme especificações técnicas do fabricante,” afirmou a Veracel em nota. A empresa também reiterou que todas as aplicações são realizadas “seguindo rigorosos critérios técnicos, com respeito absoluto às áreas de preservação ambiental e corpos hídricos e à legislação.” A Veracel destacou ainda seu “compromisso histórico com a apicultura e a meliponicultura no Extremo Sul da Bahia,” incentivando a cadeia produtiva há duas décadas e oferecendo suporte técnico, logístico e estrutural.
Apesar do posicionamento da empresa, os apicultores seguem com o laudo em mãos que aponta a presença de inseticida e continuam exigindo investigação rigorosa e reparação pelos milhões de abelhas mortas e os prejuízos milionários.