Paralisação de 48 horas estava prevista para os dias 1º e 2 de janeiro; categoria reivindica reajuste salarial e benefícios.
Por Redação
Uma notícia importante para moradores e turistas que planejam transitar entre a sede de Porto Seguro e o distrito de Arraial d’Ajuda neste início de ano: os trabalhadores do sistema de travessia de balsas suspenderam a greve de 48 horas que estava programada para esta quarta-feira (1º) e quinta-feira (2).
A decisão de recuar do movimento paredista foi tomada em assembleia-geral realizada na noite de segunda-feira (29), em Porto Seguro. A suspensão ocorre após as empresas operadoras do sistema, Rionave e Rio Buranhém, convocarem os representantes da categoria para a retomada das negociações coletivas.
De acordo com Ricardo Ponzi, presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores em Transporte Aquaviários e Afins, a categoria busca melhorias significativas nas condições de trabalho e remuneração. Entre os principais pontos da pauta estão:
A tensão entre trabalhadores e empresas havia escalado na última sexta-feira (26), quando foi realizada uma paralisação de advertência de 24 horas. Segundo a Federação, o movimento ocorreu sem intercorrências e garantiu a passagem de veículos de emergência.
Diante do cenário, o Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (TRT-5) interveio, reconhecendo o transporte marítimo como essencial. Em decisão liminar, o TRT determinou que, em caso de novas paralisações, fosse mantido no mínimo 50% do efetivo em atividade, sob pena de multa diária de R$ 30 mil. O tribunal alertou para o risco de “grave prejuízo à coletividade” caso o serviço fosse interrompido totalmente.
A ameaça de greve durante um dos períodos de maior fluxo turístico do ano gerou preocupação no setor hoteleiro e comercial. Para Vinicius Oliveira, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) – Sul da Bahia, paralisações nestas datas afetam não apenas a economia, mas a reputação do destino.
“O impacto vai além das perdas financeiras e atinge a imagem de Porto Seguro como destino turístico. Conflitos trabalhistas devem ser resolvidos por meio do diálogo ou da Justiça, sem penalizar um serviço essencial que sustenta milhares de empregos diretos e indiretos”, afirmou Oliveira.
Com a suspensão da greve, a travessia deve operar normalmente nos primeiros dias de janeiro, enquanto as partes voltam à mesa de negociação.