Ex-diretora de presídio na Bahia é denunciada por facilitar fuga de facção criminosa em troca de R$ 1,5 milhão

Publicado por: admin em 3 de julho de 2025

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) ofereceu denúncia contra Joneuma Silva Neres, ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, detalhando seu papel e o de outros envolvidos na fuga de 16 detentos da cela 44, ocorrida em 12 de dezembro de 2024. As investigações revelam o pagamento de R$ 1,5 milhão pela facilitação da fuga e a utilização de uma furadeira a bateria como ferramenta crucial no plano. De acordo com a denúncia, Joneuma teria recebido cerca de R$ 1,5 milhão da facção Primeiro Comando de Eunápolis (PCE) em troca de facilidades na fuga, concessão de privilégios e negligência diante de atividades ilegais dentro da unidade prisional. Testemunhas, incluindo o denunciado Vagno Oliveira Batista, apontam a ex-diretora como figura central na organização criminosa, atuando ao lado do líder Ednaldo “Dada”, com quem supostamente mantinha um relacionamento amoroso. O MP-BA apurou que Joneuma planejava fugir para o Rio de Janeiro com “Dada”, onde contariam com a proteção do Comando Vermelho (CV), facção aliada ao PCE.

Lavagem de Dinheiro e Falsa Identidade

A investigação do Ministério Público revela que Joneuma utilizava uma identidade falsa, Barbara Thais de Jesus Ramos, para operar em esquemas de lavagem de dinheiro da facção. Em sua posse, foram encontrados documentos, anotações e comprovantes de compras que a ligam ao fluxo financeiro do grupo criminoso, incluindo a compra de um Macbook em nome da identidade falsa, encontrado em sua residência.

A Furadeira e a Omissão da Segurança

A fuga foi executada com o auxílio de uma furadeira a bateria para abrir um buraco no teto da cela. Um supervisor do presídio percebeu o barulho da ferramenta em 29 de novembro de 2024 e tentou inspecionar a cela, mas foi impedido pelos detentos. Ao informar o coordenador de segurança, Wellington Oliveira Sousa, este agiu com negligência, alegando aguardar ordens de Joneuma. Ambos são apontados na denúncia como cúmplices no plano de fuga. Apenas em 2 de dezembro, três dias após a identificação do uso da furadeira, Joneuma ordenou o recolhimento da ferramenta, momento em que a escavação já estava quase concluída. Após a fuga, a ex-diretora instruiu Wellington a levar a furadeira para seu carro e formalizar um comunicado falso, omitindo detalhes cruciais e apagando registros do caso.

Detentos Privilegiados e Fuga Armada

A denúncia também detalha como Joneuma e Wellington elevaram o status de mais de 12 detentos da facção, permitindo-lhes livre circulação e acesso privilegiado dentro do presídio. Esses detentos foram concentrados nas celas 44 e 45 para facilitar a organização da fuga. Durante o planejamento e execução, os presos transportaram armas brancas com a conivência da direção. No dia da fuga, nove homens fortemente armados invadiram o presídio, mataram um cão de guarda e trocaram tiros com agentes penitenciários, possibilitando a fuga dos 16 detentos. O grupo invasor utilizou armamento pesado, como fuzis AK-47, Parafal e AR-15. O MP-BA entende que os denunciados devem responder solidariamente pela tentativa de homicídio de um dos vigilantes. A denúncia descreve um esquema complexo com clara divisão de tarefas entre os detentos, a liderança da facção e os servidores públicos corrompidos.

Os Principais Acusados e seus Papéis:

  • Joneuma Silva Neres (ex-diretora do presídio): Acusada de associação com a facção, relação amorosa com o líder “Dada”, concessão de regalias, facilitação de encontros políticos no presídio e lavagem de dinheiro (R$ 1,5 milhão).
  • Welington Oliveira Sousa (coordenador de segurança do presídio): Acusado de omissão deliberada, alteração de laudos criminológicos e ameaça a servidores.
  • Dada (líder da facção): Acusado de comandar a fuga, armar os resgatistas e ordenar o ataque contra os vigilantes.
  • Vagno Oliveira Batista (fornecedor de armas): Responsável por entregar os fuzis usados na fuga e revelar o esconderijo dos fugitivos no Rio de Janeiro.

A denúncia do Ministério Público detalha um esquema de corrupção e violência que culminou na fuga de membros de uma facção criminosa, expondo a fragilidade do sistema prisional e a ousadia do crime organizado na Bahia.

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