Em um protesto que durou nove horas, a população do distrito de Santa Maria Eterna, em Belmonte, resolveu fechar pela sétima vez a estrada de terra que serve como desvio da BR-101 no ponto da ponte interditada sobre o Rio Jequitinhonha. O bloqueio ocorreu nesta quarta-feira (22/10), das 14h às 23h, e foi um grito de revolta contra o descaso na manutenção da via, que se tornou rota de escoamento do tráfego e, com as fortes chuvas, transformou-se em um trajeto perigoso. A interdição da ponte do Rio Jequitinhonha obrigou motoristas e passageiros a utilizarem a precária estrada de terra. Segundo os moradores, a situação piorou drasticamente com o período chuvoso, colocando em risco a segurança de quem precisa usar o desvio, incluindo a própria comunidade.



O estopim para o protesto foi o acúmulo de promessas não cumpridas. A população denuncia que tanto o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) quanto o Governo do Estado da Bahia fizeram diversas garantias de manutenção, mas, até o momento, nenhuma ação efetiva foi vista, evidenciando o que classificam como “descanso” por parte das autoridades.
Em um ato que expôs a insatisfação com a gestão atual, moradores gravaram um vídeo durante a manifestação pedindo a intervenção da oposição. O apelo foi direcionado ao pré-candidato ACM Neto para que utilize sua influência e pressione o Governo do Estado, liderado por Jerônimo Rodrigues, a tomar providências urgentes, em um claro movimento que antecipa as tensões do ano eleitoral.


Com o bloqueio da estrada, que afetou centenas de pessoas que tentavam seguir viagem pela BR-101, a Polícia Militar foi acionada para tentar negociar com os manifestantes. As conversas duraram horas, resultando na liberação da via apenas no final da noite. Até o momento, nem o Governo do Estado da Bahia nem o DNIT se pronunciaram oficialmente sobre o protesto ou sobre as medidas que serão tomadas para resolver a situação do desvio, mantendo o silêncio diante da crise.
Os moradores de Santa Maria Eterna, no entanto, alertam que o protesto de ontem pode ser apenas o primeiro. Revoltados e determinados a chamar a atenção das autoridades para a situação de perigo e abandono, eles não descartam a possibilidade de fechar a via novamente, caso não haja uma resposta e uma intervenção imediata para garantir a segurança e a trafegabilidade do desvio. A comunidade segue atenta e exigindo respeito.