O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), avança na consolidação de sua base política a menos de um ano das eleições de 2026, mas o cenário apresenta nuances de preocupação. Segundo o presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), Wilson Cardoso, o petista alcançou recentemente a marca de 354 prefeitos em sua base de apoio, um número que, segundo ele, tende a crescer. Essa quantidade se aproxima do número de municípios já visitados pelo governador em seus três anos de mandato, que ele mesmo revelou ser de 363 cidades após agendas no último domingo (02/11) em Araças e Itanagra.
A estratégia de proximidade com as gestões municipais tem rendido frutos em termos de adesão política. O governador demonstra um esforço notável em manter a agenda de viagens pelo estado, colhendo o apoio de prefeitos como os de Araças e Itanagra, recentemente.
No entanto, nos bastidores, a oposição e até mesmo alguns aliados começam a apontar um sinal de inquietude. Prefeitos que inicialmente elogiavam a acolhida e o “mister simpatia” no Palácio de Ondina, agora estariam cobrando resultados concretos e a execução de convênios e promessas que “não saíram do papel”.
A principal fonte de preocupação reside em pesquisas encomendadas por prefeitos aliados, que acenderam um “sinal amarelo” no núcleo político de Jerônimo Rodrigues. Os levantamentos internos revelam uma queda considerável na vantagem do governador sobre seu principal adversário, ACM Neto (União Brasil), em diversas cidades onde o petista venceu com folga em 2022.
O dado mais alarmante para o grupo governista é a queda acentuada no poder de transferência de votos dos prefeitos. A tradicional política de “prefeito como fiador de voto” parece estar perdendo eficácia. Mesmo em municípios com presença constante do governador e prefeitos bem avaliados, o eleitorado começa a demonstrar independência, sinalizando que “nas urnas, ninguém segura o voto do povo”, segundo a leitura de aliados.
Enquanto a maioria das regiões do estado se alinha ao Palácio de Ondina, a Costa do Descobrimento apresenta uma notável exceção. Praticamente todos os prefeitos da região já se aliaram a Jerônimo Rodrigues, com exceção do prefeito de Porto Seguro, Jânio Natal.
Jânio Natal tem se mantido resistente à base governista, acumulando importantes vitórias eleitorais em um dos municípios de maior relevância na região turística e politicamente estratégica. Sua resistência reflete um desafio pontual, mas significativo, na estratégia de dominação política do governador na Bahia.
Resumo: O governador Jerônimo Rodrigues solidifica sua base com um número expressivo de prefeitos, mas enfrenta a pressão por entrega de obras e a crescente independência do eleitorado, evidenciada pela queda na transferência de votos nas pesquisas internas. O cenário pré-eleitoral de 2026 aponta para uma disputa mais apertada e menos dependente dos acordos municipais.