Demissão em massa de obstetras gera crise no Hospital Luís Eduardo Magalhães; Estado promete normalização.

Publicado por: admin em 3 de dezembro de 2025

Após saída de oito médicos por redução salarial, atendimento a gestantes foi improvisado com cardiologista e clínico geral. Prefeito Jânio Natal classifica situação como “caos” e Secretaria de Saúde garante recomposição da escala nesta quarta-feira (03/12).

Por Redação Porto Seguro, BA

Uma grave crise atingiu o atendimento materno-infantil em Porto Seguro nos últimos dias. O Hospital Deputado Luís Eduardo Magalhães (HDLEM), referência na região, sofreu uma desassistência crítica após a demissão coletiva de cerca de oito médicos obstetras. O grupo deixou os cargos simultaneamente após alegar uma proposta de redução salarial imposta pela nova gestora da unidade, a empresa SETES.

A situação gerou alarme entre pacientes e familiares. Até esta terça-feira (2/12), sem especialistas na escala, a gestão do hospital precisou improvisar o atendimento às gestantes utilizando um clínico geral e um cardiologista — profissionais que, embora médicos, não possuem a especialização necessária para o manejo de partos e complicações obstétricas.

Troca de gestão e redução salarial

O estopim da crise foi a transição administrativa do hospital. A SETES assumiu o comando do HDLEM após o Instituto IGH ser afastado pelo Governo do Estado devido à constatação de irregularidades. Segundo informações apuradas, além da insatisfação com a proposta de redução de salários feita pela nova gestora, os médicos também reivindicam o pagamento de verbas rescisórias pendentes referentes aos contratos com o antigo instituto (IGH).

Repercussão política: “Verdadeiro caos”

O colapso no atendimento repercutiu na Câmara Municipal e no Executivo do município de Porto Seguro. Durante sessão na Câmara nesta terça-feira, o vereador Bolinha classificou o cenário como inaceitável e relatou articulações urgentes com a prefeitura para evitar tragédias. O prefeito de Porto Seguro, Jânio Natal, manifestou-se com indignação, criticando a gestão estadual da unidade e oferecendo suporte municipal: “O que está acontecendo no HDLEM é um verdadeiro caos. É inadmissível que gestantes fiquem sem atendimento por falta de médicos obstetras. Estamos buscando todas as formas de ajudar, mesmo o hospital sendo de responsabilidade do Estado. A saúde das mães e dos bebês não pode esperar um dia sequer”, declarou o prefeito.

O outro lado: O que dizem Estado e Gestora

Diante da pressão popular e política, a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) e o Instituto Setes se pronunciaram garantindo que a situação será normalizada a partir desta quarta-feira (3/12). Em nota, a Sesab informou que um novo grupo de obstetras já foi contratado pela SETES para recompor a escala e manter a estabilidade da assistência. A secretaria também afirmou que acionou o Conselho Regional de Medicina (CRM) e o Ministério Público para fiscalizar a conduta dos profissionais que deixaram o plantão.

Sobre as questões trabalhistas, o Estado reforçou que acompanha as negociações para o pagamento das rescisões devidas pela antiga gestora (IGH) e assegurou que não há falta de insumos na unidade. Já o Instituto Setes afirmou que, durante o período crítico, implementou “ações emergenciais”, incluindo um fluxo regulado de transferência por ambulância para garantir que nenhuma gestante ficasse desassistida.

Expectativa

A população de Porto Seguro e região da Costa do Descobrimento aguarda o cumprimento da promessa de normalização dos serviços nas próximas 24 horas. O episódio acendeu um alerta sobre a fragilidade dos modelos de terceirização na saúde pública e a vulnerabilidade do atendimento em momentos de transição administrativa.


Notas Oficiais

Nota do Instituto Setes (Íntegra): “O Instituto Setes informa que está adotando todas as medidas necessárias para garantir o atendimento obstétrico às pacientes do Hospital Luiz Eduardo Magalhães, em Porto Seguro. Desde que a diretoria foi comunicada da situação envolvendo a equipe médica, ações emergenciais foram implementadas, incluindo fluxo regulado de referência por ambulância e articulação imediata com outros grupos de profissionais para recomposição da escala. O Instituto reafirma que nenhuma gestante está desassistida e que todos os esforços estão concentrados na normalização dos serviços com segurança e responsabilidade”.

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