Principal nome da oposição afirma que fará campanha “comendo poeira” e desafia a estratégia governista de apoio massivo de prefeitos.
O ex-prefeito de Salvador e principal pré-candidato da oposição ao Governo da Bahia, ACM Neto, quebrou o silêncio sobre o cenário pré-eleitoral e traçou as linhas do que deve ser o tom da disputa no próximo ano. Em declaração à imprensa, Neto enfatizou que o resultado das eleições dependerá exclusivamente da “soberania popular”, polarizando a disputa entre a continuidade da gestão de Jerônimo Rodrigues (PT) e o que ele classifica como uma necessidade urgente de mudança.
Diante das recentes movimentações do governador Jerônimo Rodrigues, que tem ressaltado o apoio da maioria dos prefeitos baianos ao seu projeto de reeleição, ACM Neto foi enfático. O opositor minimizou o “bando” político adversário e garantiu que sua estratégia será o contato direto com a população. “Quando o povo quer mudar, o povo faz a sua escolha, vai pra urna de maneira independente, escolhe o seu governador e ponto final. Eles podem vir de galera, de bando, como vierem do lado de lá, que a gente vai fazer campanha na rua, comendo poeira, do lado das pessoas e falando a verdade”, afirmou Neto.
A disputa contra a “máquina”
A declaração de Neto ocorre em um momento em que veículos de imprensa da Bahia apontam que o atual governador teria cerca de R$ 77 bilhões disponíveis para investimentos nos municípios aliados. O montante é visto por analistas como um fator que dificultaria o avanço da oposição. No entanto, o ex-prefeito aposta no desgaste de duas décadas do Partido dos Trabalhadores no comando do estado. Segundo ele, a eleição será um referendo sobre os últimos 20 anos de gestão petista. “Se houver esse sentimento no coração das pessoas, esse desejo de mudança vai prevalecer e a gente ganha. Agora, se eles conseguirem convencer que merecem mais quatro anos, que vinte anos não foram suficientes, paciência. É uma decisão da democracia, é uma decisão do povo”, declarou.
Neto reforçou que ele e seu grupo político estão preparados para implementar uma nova visão de gestão, caso a população decida encerrar o ciclo atual, mas reiterou seu respeito absoluto ao resultado das urnas.