Três instituições do Extremo Sul ficaram abaixo da média na avaliação federal. A UFSB, em Teixeira, foi a única universidade pública do estado a receber nota 2.
Por Redação | 20 de janeiro de 2026
O Ministério da Educação (MEC) divulgou, nesta segunda-feira (19), os resultados do Enamed 2025 (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes de Medicina), trazendo um alerta preocupante para a formação médica no Extremo Sul da Bahia. Três cursos da região — dois em Eunápolis e um em Teixeira de Freitas — receberam nota 2, conceito considerado abaixo da média satisfatória, que varia de 1 a 5. De acordo com as novas regras do MEC, as instituições avaliadas com notas 1 ou 2 sofrerão penalidades imediatas, incluindo a redução de vagas para novos ingressos.

Entre as 26 instituições avaliadas em toda a Bahia, 12 ficaram com desempenho insatisfatório. A região do Extremo Sul concentra três destas avaliações negativas:
O caso da UFSB, em Teixeira de Freitas, chama atenção por um dado específico: foi a única instituição pública (federal) em todo o estado da Bahia a figurar na lista de notas baixas nesta edição do exame. As demais 11 instituições reprovadas são da rede privada.

O Ministro da Educação, Camilo Santana, foi categórico ao confirmar que haverá punições. Cursos com conceito 2, como os de Eunápolis e Teixeira citados, terão a entrada de novos alunos restringida. Caso a nota baixa se repita na próxima avaliação, as instituições podem enfrentar:

A reação da classe médica aos resultados foi dura. O presidente do Conselho Regional de Medicina da Bahia (Cremeb), Dr. Otávio Marambaia, em entrevista ao Podcast Saúde 360°, afirmou que medidas paliativas não são suficientes. “Eu não acredito no Ministério da Educação […] eles já estão dizendo que ‘vamos dar uma chance’. Não é a primeira prova, isso já estava previsto. É o tipo da situação que não tem volta, essas faculdades têm que ser fechadas. Vamos lidar com vidas”, disparou Marambaia.
O presidente do Cremeb destacou que o principal problema das faculdades privadas no interior e das novas instituições é a falta de campos de estágio (hospitais-escola) próprios, essenciais para a humanização e técnica médica. “90% dessas escolas não têm campo de estágio próprio porque é caro. Fazer um hospital universitário é caro e esse pessoal visa lucro”, completou o médico, ressaltando que aprendeu medicina “com o paciente”, algo que a falta de estrutura atual compromete.
Na Bahia, o cenário geral mostrou que quase metade dos cursos avaliados (12 de 26) tiveram desempenho ruim. Apenas quatro instituições no estado alcançaram a nota máxima (5). O Enamed, novo formato do antigo Enade para a medicina, passa agora a ter seus resultados utilizados também como critério em processos seletivos de residência médica.
O Conselho Federal de Medicina (CFM), presidido por José Hiran Gallo, já solicitou ao Inep acesso integral aos microdados do Enamed para aprofundar a análise sobre a “precária formação médica ofertada em nosso país”.
O Enamed é a nova modalidade do Enade específica para Medicina, e suas notas passarão a ser utilizadas inclusive como critério em processos seletivos de residência médica.