O cenário político baiano subiu de temperatura nesta semana após declarações do prefeito de Salvador, Bruno Reis, e do ex-prefeito ACM Neto. O que parecia ser uma caminhada certa para o ex-deputado Marcelo Nilo rumo à chapa majoritária da oposição, agora ganha contornos de incerteza e possíveis rearranjos estratégicos que podem deixá-lo de fora da disputa pelo Senado.
Durante entrevista coletiva na última segunda-feira (02/02), Bruno Reis utilizou o tempo verbal no passado ao se referir às pretensões de Nilo: “Nilo ‘era’ pré-candidato ao Senado, mas sempre colocou de forma clara pra todo mundo que caso o grupo tivesse um nome com representatividade maior, ele compreenderia”, afirmou o prefeito.
A fala foi recebida nos bastidores como um indicativo de que o martelo já pode ter sido batido internamente, sugerindo que Nilo não é mais a prioridade para a vaga.
Reforçando o clima de dúvida, ACM Neto declarou à TV Band que ainda não há garantias sobre a presença de Nilo na chapa. O pré-candidato ao Governo do Estado sinalizou o desejo de atrair um nome do interior da Bahia para a vaga de vice, buscando capilaridade eleitoral fora da capital.
Enquanto isso, Nilo mantém a postura combativa. Um dos principais algozes do PT na Bahia, o ex-deputado, em afirmações recentes, disse que só abre mão da vaga no Senado caso surja um nome melhor posicionado nas pesquisas, ou se for para ocupar o posto de Vice-governador.
O fator que pode selar definitivamente o destino de Marcelo Nilo é a movimentação do senador Angelo Coronel. A migração de Coronel para o bloco de oposição é vista como iminente, com duas rotas principais:
Com João Roma (PL) já articulado para uma das vagas ao Senado na composição que visa derrotar o PT, o espaço para Nilo torna-se matematicamente escasso.
Enquanto aliados de Nilo aguardam um posicionamento oficial, a oposição liderada pelo PT já explora a narrativa de uma possível “traição” de ACM Neto contra o aliado de primeira hora. O ex-prefeito de Salvador prometeu uma definição final da chapa até o mês de maio, mas o tabuleiro político parece estar sendo montado bem antes disso.