Operações federais contra conflitos de terra resultam em prisões de caciques no Extremo Sul da Bahia.

Publicado por: admin em 17 de março de 2026

O extremo sul da Bahia atravessa uma manhã de forte tensão nesta terça-feira (17/03). Em uma ação conjunta coordenada pela Polícia Federal, Forças de Segurança deflagraram as operações Sombras da Mata II e Tekó Porã II, com o objetivo de desarticular grupos envolvidos em conflitos fundiários entre comunidades indígenas e produtores rurais.

As ordens judiciais, expedidas pela Vara Federal de Teixeira de Freitas, miram crimes em ambos os lados do conflito nas regiões de Porto Seguro e Prado.

As Operações: Dois Alvos, Um Conflito

A ofensiva foi dividida em duas frentes para atender à complexidade da situação na região:

  • Operação Sombras da Mata II: Focada em suspeitos de crimes como invasão de terra, homicídio, ameaça, roubo e cárcere privado.
  • Operação Tekó Porã II: Direcionada a homens armados investigados por ataques violentos contra comunidades indígenas em propriedades rurais.

Até o momento, o balanço parcial confirma a prisão de três pessoas na região de Barra Velha, em Porto Seguro. Entre os detidos estão dois caciques e um indivíduo que já respondia em liberdade por tráfico e homicídio. Com eles, os agentes apreenderam um fuzil, munições, coletes balísticos e rádios comunicadores.

No total, a Justiça autorizou sete mandados de busca e apreensão, cinco de prisão temporária e dois de prisão domiciliar.

Cacique Aruã Pataxó é detido em Feira de Santana

A escalada das prisões teve início ainda na tarde de segunda-feira (16/03). O cacique Aruã Pataxó (Gerdion Santos do Nascimento), ex-coordenador regional da Funai, foi interceptado pela Polícia Federal no distrito de Humildes, em Feira de Santana, enquanto viajava para agendas políticas em Salvador.

Aruã havia sido exonerado do cargo na Funai no início de março de 2026, após pressões e acusações de que estaria incentivando retomadas de terra e acirrando os conflitos em municípios como Prado e Itabela. Na ocasião de sua saída, ele negou irregularidades e afirmou não responder a processos criminais.

Nota: Até o fechamento desta reportagem, as razões específicas do mandado judicial que levou à prisão de Aruã não foram detalhadas pelas autoridades federais.

Policiamento por tempo indeterminado

A operação conta com um contingente massivo, reunindo a Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Força Nacional e forças estaduais. Segundo a Secretaria de Segurança, o policiamento preventivo e o cumprimento de mandados continuarão por tempo indeterminado para evitar novos confrontos e garantir a ordem pública na zona rural.

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