Renovação da Coelba por 30 Anos: Entre o Investimento Bilionário e o Clamor por Mudança em Belmonte.

Publicado por: admin em 9 de abril de 2026

Apesar do anúncio de investimentos bilionários e da oficialização do Governo Federal, a Neoenergia Coelba enfrenta resistência da AL-BA e o clamor por dignidade energética no extremo sul baiano.


O Ministério de Minas e Energia (MME) oficializou nesta segunda-feira (06) a renovação do contrato de concessão da Neoenergia Coelba por mais 30 anos. A decisão estende a operação da distribuidora no estado até 2057, integrando um pacote federal que contempla outras 13 concessionárias. No entanto, o clima de celebração no setor corporativo contrasta drasticamente com a insatisfação popular e política em diversas regiões da Bahia.

Investimentos e Metas

Com o novo aval, a Coelba tem até 60 dias para assinar o contrato, comprometendo-se a investir R$ 16 bilhões entre 2026 e 2029. O foco anunciado é:

  • Expansão da rede elétrica e reforço da infraestrutura.
  • Implementação de tecnologias de rede inteligente (smart grids).
  • Suporte ao crescimento industrial e residencial.
  • Fomento a energias renováveis (solar e eólica) em parceria com o Governo do Estado.

O Contraste: A Realidade de Belmonte

Enquanto os números bilionários são anunciados em Salvador e Brasília, o município de Belmonte continua sendo um exemplo vivo das falhas na prestação de serviço. O descaso da empresa no município é um gargalo que parece não ter fim, afetando o comércio local, a vida doméstica e o desenvolvimento econômico.

A luta contra a má qualidade do serviço tem unido frentes institucionais e populares:

  • Gestão Municipal: O Prefeito Iêdo Elias tem liderado ofensivas para cobrar da concessionária a estabilidade no fornecimento e a manutenção de equipamentos.
  • Câmara de Vereadores: O legislativo municipal mantém a pressão constante, documentando as quedas de energia que causam prejuízos materiais à população.
  • Ministério Público: O órgão atua na fiscalização e no amparo jurídico aos direitos dos consumidores belmontenses.
  • Mobilização Popular: A população, cansada de interrupções frequentes, tem sido a voz principal no clamor por uma energia confiável.

“Testada e Reprovada”: A Crítica na AL-BA

A renovação ocorre ignorando um relatório minucioso da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), que sugeria a não renovação e a abertura de uma nova licitação. O deputado estadual Robinson Almeida (PT), coordenador da subcomissão que fiscaliza a empresa, foi enfático: “A Coelba foi testada e reprovada na distribuição de energia na Bahia. Há falhas recorrentes que impactam diretamente a vida das pessoas e o desenvolvimento econômico do estado.”

Pontos críticos apontados pelo relatório:

ProblemaImpacto
JudicializaçãoMais de 44 mil ações judiciais contra a empresa.
InterrupçõesFalhas frequentes no fornecimento, especialmente em áreas produtivas.
TarifasAumento constante nos últimos anos sem melhora proporcional no serviço.
AtendimentoDificuldades de diálogo com consumidores e setores da indústria e agricultura.

Futuro e Fiscalização

A renovação por 30 anos sem uma nova licitação acende um alerta sobre a falta de concorrência, o que, para especialistas e lideranças políticas, pode desestimular a busca pela excelência. Para o povo de Belmonte e de outros 414 municípios baianos, resta a esperança de que os novos mecanismos de controle e a pressão das autoridades locais obriguem a “gigante” da energia a respeitar o cidadão baiano.

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