Pacientes relatam espera em corredores e falta de insumos básicos; médicos denunciam atrasos salariais de até 80 dias e equipamentos parados há meses.
O Hospital Deputado Luís Eduardo Magalhães (HDLEM) volta ao centro de uma crise de gestão que parece não ter fim. Nesta semana, uma nova onda de relatos de pacientes e profissionais de saúde expõe um cenário alarmante de precariedade, falta de segurança e desassistência na principal unidade hospitalar da rede pública na Terra do Descobrimento.
Um dos relatos que ganhou repercussão foi o do empresário Cauê Sekiguchi. Sua esposa, diagnosticada com cálculos na vesícula, está internada desde o início da semana sem acesso a exames fundamentais ou ao tratamento adequado. Segundo Sekiguchi, a situação beira o desumano: a paciente foi alocada em um corredor, sem a dieta específica exigida pelo seu quadro clínico.
Além da falha assistencial, o empresário denunciou barreiras impostas pela segurança da unidade, que teriam dificultado o direito à amamentação do filho do casal. “É um tratamento inadequado em um momento de fragilidade”, desabafou.
A denúncia de Sekiguchi foi além do atendimento médico. Ele identificou falhas graves na segurança predial, como um extintor de incêndio com prazo de validade vencido, o que levanta questionamentos sobre a conformidade do hospital com as normas básicas de segurança e prevenção de acidentes.
Se para quem busca atendimento a situação é crítica, para quem trabalha o cenário é de impotência. Médicos da unidade, que optaram pelo anonimato temendo retaliações, revelaram uma lista extensa de problemas operacionais:
“Trabalhamos no limite. Sem tomógrafo e sem materiais básicos, ficamos de mãos atadas diante de casos graves que chegam à nossa porta”, relatou um dos profissionais.
Até o fechamento desta reportagem, não houve uma previsão oficial de melhoria por parte da gestão do HDLEM ou da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (SESAB). Enquanto as providências não chegam, a população de Porto Seguro e região permanece à mercê de uma estrutura que, segundo os próprios usuários, “pede socorro”.
Nota da Redação: Entramos em contato com a assessoria da unidade para esclarecimentos sobre as denúncias de atrasos salariais e falta de equipamentos, mas não obtivemos resposta até a publicação deste texto. O espaço segue aberto.