Um dos certames judiciais mais chamativos do ano no mercado imobiliário do Nordeste colocou os holofotes sobre o município de Belmonte. Duas áreas de terra situadas na cidade, que juntas somam 26 hectares e foram avaliadas pela Justiça em impressionantes R$ 279,25 milhões, foram disponibilizadas para leilão com um lance inicial simbólico de apenas R$ 1.000,00.
Os imóveis pertencem à massa falida da WBS Gerenciamento e Empreendimentos, uma tradicional empresa baiana do setor de engenharia. A companhia havia entrado em recuperação judicial em 2012 e teve sua falência oficialmente decretada pela Justiça em 2017, após descumprir os acordos firmados com credores. O leilão, conduzido pela Positivo Leilões, corre no âmbito do processo que tramita na 1ª Vara Empresarial de Salvador.
O grande diferencial do leilão reside na localização privilegiada e no tamanho dos ativos em Belmonte. Dividido em dois grandes lotes, o patrimônio reflete o alto valor comercial da região litorânea do município:
Ambas as propriedades estão localizadas em áreas consideradas de alto potencial de desenvolvimento logístico e turístico em Belmonte. Os terrenos ficam próximos à Praia de Belmonte e ao Terminal Marítimo da Veracel, contando com acesso facilitado por duas importantes rodovias estaduais: a BA-001 e a BA-275.
Por conta dessa infraestrutura de transporte e da proximidade com o mar, os terrenos são apontados por especialistas como ideais tanto para grandes empreendimentos hoteleiros/turísticos quanto para operações de suporte logístico. Os ativos são fundamentais na tentativa de levantar recursos para quitar a dívida total da massa falida da WBS, calculada em aproximadamente R$ 100 milhões.
A disparidade entre o valor de avaliação (quase R$ 280 milhões) e o lance inicial de R$ 1 mil se deve às regras de execução dos leilões judiciais. Como o certame já passou pelas duas primeiras etapas regulamentares — a primeira exigindo o valor integral da avaliação e a segunda oferecendo um desconto fixado — sem que surgissem compradores, o processo avançou para a chamada “terceira praça”.
Nesta fase atual, o edital permite propostas a partir de qualquer valor. No entanto, o lance de R$ 1 mil funciona apenas como um gatilho inicial para abrir as ofertas.
Embora a oportunidade em Belmonte atraia investidores de olho em pechinchas, a aquisição carrega complexidades jurídicas. O lance vencedor não garante a compra automática; por se tratar de um processo falimentar, o juiz responsável pelo caso precisa homologar o resultado, podendo rejeitar propostas que considerar “vil” (preço excessivamente abaixo do valor de mercado) ou prejudiciais aos interesses dos credores.
Além disso, os imóveis em Belmonte carregam um histórico robusto de ônus e entraves que explicam a cautela do mercado nas fases anteriores. De acordo com o edital do certame, sobre as terras pesam:
Apesar de o edital assegurar que o comprador (arrematante) ficará livre de herdar as dívidas e obrigações fiscais anteriores da construtora falida, o emaranhado burocrático e jurídico ainda exige uma análise minuciosa por parte dos investidores.
Com as propostas oficialmente abertas na terceira praça, a expectativa do mercado financeiro e dos credores se volta para o desfecho do pregão, que promete redefinir a ocupação e o desenvolvimento de uma das áreas mais valiosas e estratégicas da costa de Belmonte.