A Bahia voltou a ocupar o topo do ranking nacional de mortes violentas intencionais, consolidando-se como o estado mais letal do Brasil em números absolutos. Além da alta violência, o estado enfrenta sérios gargalos na segurança pública e no sistema de Justiça, figurando entre as unidades da federação com o menor índice de esclarecimento de homicídios. Os dados constam no novo estudo do Instituto Sou da Paz, divulgado nesta quarta-feira (8).
De acordo com o levantamento, a Bahia registrou 6.578 mortes violentas ao longo de 2023. Quando analisada a proporcionalidade pelo tamanho da população, o estado apresenta uma taxa de 46,5 homicídios por 100 mil habitantes, a segunda maior média do país.
O relatório chama a atenção para a baixa resolutividade dos crimes contra a vida em território baiano. Entre os anos de 2020 e 2023, apenas 14% dos homicídios dolosos (aqueles em que há a intenção de matar) resultaram em uma denúncia formal apresentada pelo Ministério Público à Justiça.
O indicador revela que a vasta maioria dos assassinatos no estado permanece sem autoria definida ou desfecho judicial, alimentando um ciclo de impunidade.
O raio-X da violência na Bahia detalha ainda os principais fatores que impulsionam esses indicadores:
Segundo os pesquisadores do Instituto Sou da Paz, o cenário crítico do estado é resultado de uma combinação de fatores estruturais e conjunturais. A forte atuação e disputa territorial de facções criminosas, somada ao uso massivo de armas de fogo e à alta letalidade policial, cria um ambiente de extrema violência que sobrecarrega as polícias civil e técnica, contribuindo diretamente para a baixa taxa de elucidação dos assassinatos na Bahia.