Bahia lidera mortes violentas no país e tem um dos piores índices de elucidação de crimes, aponta Sou da Paz.

Publicado por: admin em 10 de julho de 2026

A Bahia voltou a ocupar o topo do ranking nacional de mortes violentas intencionais, consolidando-se como o estado mais letal do Brasil em números absolutos. Além da alta violência, o estado enfrenta sérios gargalos na segurança pública e no sistema de Justiça, figurando entre as unidades da federação com o menor índice de esclarecimento de homicídios. Os dados constam no novo estudo do Instituto Sou da Paz, divulgado nesta quarta-feira (8).

De acordo com o levantamento, a Bahia registrou 6.578 mortes violentas ao longo de 2023. Quando analisada a proporcionalidade pelo tamanho da população, o estado apresenta uma taxa de 46,5 homicídios por 100 mil habitantes, a segunda maior média do país.

Impunidade e gargalo na Justiça

O relatório chama a atenção para a baixa resolutividade dos crimes contra a vida em território baiano. Entre os anos de 2020 e 2023, apenas 14% dos homicídios dolosos (aqueles em que há a intenção de matar) resultaram em uma denúncia formal apresentada pelo Ministério Público à Justiça.

O indicador revela que a vasta maioria dos assassinatos no estado permanece sem autoria definida ou desfecho judicial, alimentando um ciclo de impunidade.

Armas de fogo e letalidade policial

O raio-X da violência na Bahia detalha ainda os principais fatores que impulsionam esses indicadores:

  • Uso de armas de fogo: O estudo aponta que 83% dos crimes de morte no estado foram cometidos com o uso de armas de fogo, evidenciando o forte armamento em circulação.
  • Violência de Estado: Outro dado alarmante é o peso das ações de segurança pública no total de óbitos. Cerca de 25,8% das mortes violentas na Bahia decorreram de intervenções policiais — um índice que representa mais do que o dobro da média registrada no restante do Brasil.

Fatores de risco

Segundo os pesquisadores do Instituto Sou da Paz, o cenário crítico do estado é resultado de uma combinação de fatores estruturais e conjunturais. A forte atuação e disputa territorial de facções criminosas, somada ao uso massivo de armas de fogo e à alta letalidade policial, cria um ambiente de extrema violência que sobrecarrega as polícias civil e técnica, contribuindo diretamente para a baixa taxa de elucidação dos assassinatos na Bahia.

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