Bahia é o estado menos eficiente do Nordeste e amarga 21º lugar no Brasil em gestão pública.
Levantamento da Folha de S.Paulo e Datafolha aponta estagnação no estado, com a pior nota do país em educação e vice-lanterna em segurança pública.
A Bahia amarga a pior colocação do Nordeste no quesito eficiência da gestão pública e figura entre as piores administrações do país, aponta a segunda edição do Ranking de Eficiência dos Estados (REE-F), elaborado pelo jornal Folha de S.Paulo em parceria com o instituto Datafolha. Com pontuação de 0,301 em uma escala que vai de 0 a 1, o estado ocupa a 21ª colocação entre as 26 unidades federativas avaliadas (o Distrito Federal ficou fora do estudo). O indicador afere a capacidade dos governos de converter a Receita Corrente Líquida (RCL) per capita em entregas essenciais à população em cinco áreas: educação, saúde, infraestrutura, segurança pública e finanças. No cômputo geral, a Bahia supera apenas cinco estados — todos da Região Norte: Amazonas, Pará, Roraima, Acre e Amapá.
O contraste no Nordeste
Enquanto a Bahia figura na parte de baixo da tabela, estados vizinhos ocupam posições de destaque nacional. O Ceará conquistou a vice-liderança do ranking geral (0,665), atrás apenas do Paraná (0,734). O Piauí aparece em 5º lugar (0,596) e a Paraíba em 6º (0,561).
| Posição | Estado | Pontuação (0 a 1) | Situação Regional |
| 1º | Paraná | 0,734 | Líder nacional |
| 2º | Ceará | 0,665 | Líder do Nordeste |
| 5º | Piauí | 0,596 | Top 5 nacional |
| 6º | Paraíba | 0,561 | Top 10 nacional |
| 17º | Alagoas | 0,368 | Nordeste |
| 20º | Rio Grande do Norte | 0,303 | Nordeste |
| 21º | Bahia | 0,301 | Lanterna do Nordeste |
Lanterna nacional em Educação
O gargalo mais crítico da gestão baiana está no ensino. Com nota 0,165, a Bahia obteve o pior desempenho do Brasil em eficiência educacional — indicador que tem peso dobrado no índice final, junto à saúde, devido às vinculações constitucionais de receita.
Apesar de comprometer 16,9% do orçamento com a pasta, os reflexos não chegam à ponta:
- Ensino Fundamental (6º ao 9º ano): Pior desempenho nacional no Ideb (Inep).
- Ensino Médio: Pior índice do Nordeste e penúltimo lugar no Brasil, à frente apenas do Rio de Janeiro.
- Evasão e acesso superior: Taxa de abandono escolar de 6,6% e apenas 64,38 ingressantes no ensino superior por 100 mil habitantes.
Crise crônica na Segurança Pública
Em segurança pública, a Bahia ocupa a penúltima colocação nacional em eficiência, superando apenas o Acre. O levantamento destaca que o governo estadual destina menos de 10% do orçamento para a área, enquanto enfrenta um cenário crítico de criminalidade violenta: a taxa alcançou 36,8 mortes violentas por 100 mil habitantes, fator determinante para derrubar o índice de entrega do setor.
Gestão política e falta de planejamento
Para Adriano Araújo, coordenador dos cursos de Gestão da Unijorge e pesquisador da Universidade Federal da Bahia (Ufba), os números refletem deficiências estruturais na administração pública e escolhas políticas em detrimento de critérios técnicos:
“A gente vê verbas extremamente mal distribuídas ou destinadas de forma ineficiente, que mostram a não capacidade de gestão do estado, que chegou a um ponto muito crítico, onde ela não consegue estabelecer melhorias nem no curto, nem no médio, nem no longo prazo.”
O especialista ressalta que o problema central não é a escassez de recursos, mas a composição dos quadros governamentais e a falta de alternância técnica:
“Nós estagnamos completamente e isso pelas escolhas técnicas das equipes de trabalho de cada secretaria estadual. As escolhas são por apadrinhamentos políticos e não se prioriza a questão técnica, com pessoas capacitadas para cada secretaria. Tem aí um período de muitos anos do mesmo governo, com um mesmo partido tomando conta e não tem evolução nessas questões.”
Classificada como ineficiente em três das cinco áreas monitoradas (educação, segurança pública e finanças) e fora dos dez melhores postos em todos os recortes, a Bahia segue diante do desafio de reorganizar sua máquina pública para transformar arrecadação tributária em serviços efetivos à sua população de quase 15 milhões de habitantes.

