RPPN Estação Veracel completa 28 anos como polo de conservação e ciência no sul da Bahia.

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Com 6.069 hectares de Mata Atlântica protegidos entre Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália, a reserva celebra quase três décadas com novos registros de harpias, estudos com DNA ambiental e proteção hídrica crucial para a região.

Celebrando 28 anos de existência neste dia 5 de novembro, a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Estação Veracel consolida-se como um dos principais refúgios de biodiversidade e polos de pesquisa científica da Mata Atlântica. Mantida pela Veracel Celulose no sul da Bahia, a área de 6.069 hectares contínuos de floresta já foi base para mais de 230 estudos acadêmicos e soma conquistas emblemáticas, que vão do nascimento de filhotes de harpia à catalogação de fauna por rastros genéticos invisíveis a olho nu. Reconhecida oficialmente pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) em 1998, a reserva abrange áreas dos municípios de Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália. A preservação contínua viabiliza o acompanhamento em longo prazo de espécies ameaçadas e dinâmicas florestais.

“Quando monitoramos uma mesma área por vários anos, conseguimos reunir informações sobre o comportamento das espécies, além de observar possíveis mudanças no ambiente. Isto é fundamental para conservação e a proteção da floresta”, ressalta Virgínia Camargos, gerente de Sustentabilidade da Veracel Celulose.

Berçário de gigantes e proteção de primatas

Nas copas das árvores mais altas da reserva, a vida selvagem ganha novos capítulos. Em março de 2026, foi registrado o nascimento de mais um filhote de harpia (Harpia harpyja), considerada uma das maiores e mais imponentes aves de rapina do planeta. A reprodução monitorada integra uma parceria de mais de duas décadas com o Projeto Harpia, iniciada em 2005, que combina câmeras de alta definição e tecnologia de rastreamento para entender os padrões reprodutivos da espécie.

A pesquisa de campo também foca nos primatas da região. Em agosto de 2026, pesquisadores do Projeto Guigó, desenvolvido em cooperação com o Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), realizaram uma etapa intensiva de coletas na floresta para estimar o tamanho da população de guigós, mapear a distribuição do grupo e traçar medidas eficazes para sua sobrevivência.

Inovação científica: 36 novas espécies via DNA ambiental

Além do trabalho de observação direta, a Estação Veracel tem apostado em metodologias moleculares de ponta. Entre 2023 e 2025, pesquisas lideradas por estudantes da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) recorreram à técnica de DNA ambiental (eDNA).

O método analisa fragmentos genéticos dispersos no solo, água e ar para atestar a presença de animais sem a necessidade de captura ou visualização. Esse mapeamento acrescentou 36 novos registros à lista de fauna da reserva, incluindo registros de espécies raras e criticamente ameaçadas de extinção.

Água pura e integração com a comunidade

A importância ecológica da RPPN ultrapassa seus limites geográficos:

  • Segurança hídrica: A área resguarda 115 nascentes e cursos d’água, incluindo trechos essenciais da bacia do Rio dos Mangues, fundamental para o abastecimento da população de Porto Seguro.
  • Educação e ecoturismo: Em 2025, foram contabilizados 2.436 participantes em atividades de educação ambiental, passeios monitorados e observação de aves (birdwatching).
  • Serviços ecossistêmicos: A integridade da cobertura florestal estabiliza o solo, retém umidade e garante refúgio para corredores ecológicos regionais.

Ao completar 28 anos, a Estação Veracel reforça que a proteção ambiental integrada à ciência e à comunidade é um caminho viável para manter viva a riqueza e o equilíbrio da Mata Atlântica.

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