Médicos do Hospital Regional de Porto Seguro anunciam paralisação parcial por atraso salarial e falta de insumos.

Publicado por: admin em 2 de junho de 2026

Profissionais suspendem consultas e cirurgias eletivas a partir de sexta-feira (5); falta de água potável e exames básicos geram caos e revolta entre pacientes.

O corpo clínico do Hospital Regional Deputado Luís Eduardo Magalhães (HRDLEM), em Porto Seguro, anunciou que entrará em paralisação parcial a partir da próxima sexta-feira, dia 5 de junho. A decisão, comunicada em nota oficial, foi motivada por um atraso superior a 60 dias no pagamento dos honorários médicos. Segundo os profissionais, a situação tornou-se “insustentável” após sucessivas tentativas de negociação com a gestão, todas sem sucesso.

A partir de sexta-feira, estarão suspensos por tempo indeterminado:

  • Atendimentos ambulatoriais e consultas;
  • Cirurgias eletivas (procedimentos agendados que não urgentes);
  • Atendimentos de triagem classificados como fichas verdes e azuis (casos de menor gravidade).

Os médicos garantem que os serviços de urgência, emergência e a assistência a pacientes em risco iminente de morte serão mantidos integralmente, em respeito aos princípios éticos da medicina e à segurança da população. A greve parcial deve durar até que os débitos sejam quitados.

Estrutura em colapso: falta insumos e até água potável

Para além dos salários atrasados, a nota emitida pelos médicos acende um alerta vermelho sobre as condições estruturais e de assistência da unidade. O documento denuncia a falta crônica de insumos médico-hospitalares básicos e a indisponibilidade prolongada de exames essenciais, como tomografia e ecocardiograma.

A crise atinge inclusive as condições básicas de higiene e consumo. Relatórios da Vigilância Sanitária já haviam apontado sérias preocupações com a qualidade da água da unidade. Na rotina do hospital, o reflexo disso é o desespero de quem aguarda atendimento. “Estou com meu marido desde as 7h da manhã e tive que sair para comprar água porque aqui não tem”, desabafou, sob anonimato, a esposa de um paciente internado no local.

Relatos de familiares apontam que pacientes estão tendo cirurgias adiadas e tratamentos comprometidos pela escassez de materiais básicos de saúde e pela falta de água potável nas dependências do hospital regional.

Jogo de empurra político e impacto regional

Enquanto o hospital opera no limite, a crise ganha contornos políticos. O Governo do Estado da Bahia tem atribuído a superlotação e o estrangulamento da unidade às gestões municipais da Costa do Descobrimento, alegando uma alta demanda enviada pelas prefeituras da região. Por outro lado, prefeitos de cidades vizinhas rebatem as acusações. Como alternativa ao colapso em Porto Seguro, os municípios têm feito o redirecionamento de pacientes para os Hospitais Regionais de Teixeira de Freitas e Ilhéus.

Embora alivie temporariamente a demanda do HRDLEM, a medida transfere o problema para a logística municipal:

  • Aumento de custos: Eleva drasticamente o gasto das prefeituras com frotas de ambulâncias e combustível.
  • Risco ao paciente: O longo deslocamento asfáltico cansa e fragiliza ainda mais os pacientes debilitados, que precisam viajar por horas para conseguir atendimento básico.

Até o fechamento desta reportagem, a Secretaria de Saúde do Estado (Sesab) e a empresa responsável pela gestão do Hospital Regional Deputado Luís Eduardo Magalhães não haviam se pronunciado oficialmente sobre o cronograma de pagamento dos médicos ou sobre as medidas para sanar a falta de insumos e água na unidade.

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