Justiça afasta seis policiais denunciados pelas mortes de guia de turismo e suspeito em Caraíva.

Publicado por: admin em 21 de julho de 2026

Agentes responderão por homicídio qualificado; dois policiais civis também são acusados de fraude processual por alterarem a cena do crime.

A 1ª Vara Criminal de Porto Seguro determinou o afastamento cautelar de seis policiais — dois civis e quatro militares — denunciados pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA). Eles são acusados de envolvimento nas mortes do guia de turismo Vitor Cerqueira Santos Santana, de 28 anos, e de Davisson Sampaio dos Santos, apontado pela polícia como liderança de uma facção criminosa no distrito de Caraíva.

Além de serem suspensos de suas funções públicas, os agentes estão proibidos de manter qualquer tipo de contato com testemunhas e familiares das vítimas.

Os policiais denunciados

A decisão atende aos pedidos do Grupo de Atuação Especial Operacional de Segurança Pública (Geosp), do MPBA. Foram afastados:

  • Policiais Civis: Alan Brito Ribeiro e Anderson Luis Mota de Andrade;
  • Policiais Militares: Angelo Rodolfo dos Santos Reis, Arthur Campos Barreto, Lúcio Mario Santos Sousa e Rodrigo Nogueira Mota.

Indícios de agressão e acusação de fraude

Segundo o Geosp/MPBA, os seis agentes responderão por dois homicídios qualificados. A denúncia detalha que uma das vítimas foi atingida por múltiplos disparos em local público, enquanto a outra foi abordada, revistada e baleada em seguida. Laudos periciais integrados à investigação apontaram lesões corporais compatíveis com agressões físicas ocorridas antes dos disparos.

Além das acusações de homicídio, os policiais civis Alan Brito Ribeiro e Anderson Luis Mota de Andrade foram denunciados por fraude processual. A acusação sustenta que eles alteraram a cena do crime para dificultar o trabalho de reconstituição da dinâmica dos fatos. A conduta dos policiais militares no local será analisada separadamente pela Vara de Auditoria Militar.

Repercussão e versões conflitantes

O caso gerou forte comoção social após a morte de Vitor Cerqueira Santos Santana, conhecido na comunidade como Vitinho. Familiares e moradores de Caraíva afirmam que o jovem guia de turismo não tinha qualquer ligação com o crime organizado e que foi vítima de um erro policial, sendo confundido com outro homem de apelido semelhante.

Por outro lado, a Polícia Civil nega a versão de erro e alega que a ação visava integrar a Operação Travessia, cujo alvo principal era Davisson Sampaio dos Santos, o “Alongado”. De acordo com a corporação, Alongado era apontado como líder do grupo criminoso Anjos da Morte, responsável por controlar o tráfico de drogas na região.

As investigações prosseguem na Justiça Comum e na Justiça Militar para apurar as responsabilidades individuais de cada agente envolvido na ação.

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