Projeto da Ponte Salvador–Ilha de Itaparica amplia vão central e adota novas tecnologias construtivas.
A Concessionária responsável pelo Sistema Rodoviário Ponte Salvador–Ilha de Itaparica anunciou alterações técnicas e operacionais no projeto que ligará a capital baiana à Ilha de Itaparica. As atualizações incluem o alargamento do vão central do empreendimento e a introdução de metodologias de engenharia marítima inéditas no país.
Alteração no vão central e navegação
Segundo dados divulgados pela empresa em vídeo institucional, o vão central estaiado da ponte foi ampliado de 482 para 682 metros. A mudança tem como objetivo adequar a estrutura aos gabaritos e padrões internacionais de navegação, permitindo a passagem contínua de navios petroleiros, porta-contêineres e transatlânticos de cruzeiro pela Baía de Todos-os-Santos.
Com as novas dimensões, a estrutura passará a figurar no grupo das 25 maiores pontes estaiadas do mundo. A obra prevê:
- Superestrutura Mista: Combinação de módulos estruturais de aço e concreto.
- Torres de Sustentação: Duas torres estaiadas em formato de diamante, com 248 metros de altura.
- Método de Erguimento: Execução em 34 segmentos sucessivos, utilizando sistemas de formas trepantes hidráulicas.
Métodos de fundação e logística de concreto
As etapas de fundação da ponte utilizarão estacas metálicas de grande diâmetro, cravadas com o auxílio de bate-estacas flutuantes, seguidas de escavação e concretagem submersa.
Para reduzir o tempo de transporte de materiais e otimizar a logística do canteiro de obras, será instalada uma central de fabricação de concreto sobre o mar, posicionada entre os pilares P5 e P6. A gestão de planejamento e a prevenção de interferências técnicas ao longo da execução serão realizadas por meio da metodologia BIM (Building Information Modeling), que mapeia a construção em ambiente digital.
Base operacional flutuante na Baía de Todos-os-Santos
Outro elemento logístico previsto no projeto é a implementação de uma plataforma de trabalho flutuante de tecnologia chinesa, inédita na América Latina. A estrutura servirá como canteiro de apoio sobre as águas para a circulação de trabalhadores, maquinários e insumos.
De acordo com a concessionária:
- A plataforma acompanhará o avanço das frentes de serviço e será desmontada ao término da obra.
- A solução promete reduzir em cerca de 70% o tráfego de embarcações de apoio na baía durante o período de construção.
- O modelo técnico é baseado em estruturas já aplicadas em obras marítimas na China, como as pontes da Baía de Hangzhou (29,2 km) e de Liuheng (18,8 km).
O porta-voz e gerente de Relações Institucionais da Concessionária, Carlos Prates, afirmou em nota que a transferência dessas metodologias construtivas para o cenário nacional busca garantir a eficiência da execução e consolidar avanços técnicos para a engenharia de infraestrutura no Brasil.

