Evolução patrimonial de candidatos na Bahia vira centro de debate político entre oposição e governo.

Por admin  | 

A variação no patrimônio declarado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por pré-candidatos e lideranças políticas da Bahia entre 2022 e 2026 tornou-se um dos principais pontos de discussão no cenário político estadual. Dados oficiais mostram aumentos significativos nos bens de nomes da oposição, como ACM Neto (União Brasil) e João Roma (PL), enquanto outros perfis, a exemplo do senador Angelo Coronel (Republicanos), registraram redução nos valores declarados.

Crescimento patrimonial da oposição

De acordo com as declarações prestadas à Justiça Eleitoral, o valor total em bens do ex-prefeito de Salvador e candidato ao governo do estado, ACM Neto, subiu 103,4%. O montante passou de R$ 41,7 milhões em 2022 para R$ 84,8 milhões em 2026. Entre os principais ativos informados por ACM Neto no pleito atual estão:

  • Fundo de Investimento Imobiliário Praia do Castelo: R$ 11,9 milhões
  • Ações ordinárias da TV Bahia: R$ 9,3 milhões
  • Aplicações na Planner Corretora de Valores S.A.: R$ 9,0 milhões
  • Adiantamento para aumento de capital na Anre Participações: R$ 7,9 milhões (empresa sócia da controladora do antigo Centro de Convenções da Bahia)
  • Apartamento no Corredor da Vitória: R$ 7,8 milhões

Já o ex-ministro João Roma registrou um crescimento percentual de 297,6% no mesmo período. Seus bens declarados saltaram de R$ 5,5 milhões para R$ 22,1 milhões. Dentre os bens de maior valor informados por Roma, destacam-se:

  • Fazenda Mirage: R$ 5,1 milhões
  • Apartamento no Corredor da Vitória: R$ 3,5 milhões
  • Empréstimo concedido à empresa L N Agropecuária: R$ 2,2 milhões

Variações entre aliados: Zé Cocá e Angelo Coronel

Candidato a vice-governador na chapa de ACM Neto, Zé Cocá (PP) registrou crescimento de 50% em relação a 2024, ano em que disputou a prefeitura de Jequié. Seu patrimônio passou de R$ 2,1 milhões para R$ 3,2 milhões em 2026. Os itens de maior relevância em sua declaração incluem R$ 700 mil em gado, um sítio em Manoel Vitorino avaliado em R$ 600 mil e um imóvel residencial em Jequié de igual valor (R$ 600 mil).

Em sentido oposto, o senador Angelo Coronel (Republicanos), que concorre à reeleição, apresentou uma redução de 6% em seus bens na comparação com 2022, quando integrava os quadros do PSD. O valor total declarado caiu de R$ 5,6 milhões para R$ 5,3 milhões. Os maiores ativos listados pelo parlamentar são:

  • Participação na sociedade Barra: R$ 3,1 milhões
  • Depósito bancário em conta de alta renda: R$ 724,2 mil
  • Remessa enviada ao exterior: R$ 424,8 mil

Repercussão e embate político

A divulgação dos dados do TSE gerou reações imediatas entre os grupos políticos que disputam o governo baiano. Apoiadores e militantes ligados ao governador e candidato à reeleição, Jerônimo Rodrigues (PT), têm utilizado os números para fazer críticas públicas ao crescimento dos bens dos adversários durante o período intereleitoral.

Em contrapartida, partidários do grupo político de ACM Neto defendem a regularidade dos valores e rebatem as acusações nas redes sociais. A defesa argumenta que o ex-prefeito de Salvador atua no setor privado, não ocupa cargo público no momento e que o incremento patrimonial decorre de suas atividades empresariais e investimentos privados. Os apoiadores da oposição cobram ainda a divulgação completa das declarações de bens dos candidatos ligados à base governista para fins de comparação.

Compartilhe:

Leia também