Governador da Bahia retira promessa da ponte Belmonte–Canavieiras de plano de reeleição.

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Prometida desde a gestão Jaques Wagner em 2010 e incluída no plano de 2022, ligação viária na BA-001 dá lugar a grandes eixos logísticos como a Ponte Salvador–Itaparica e a FIOL.

A ligação viária sobre o Rio Jequitinhonha entre os municípios de Belmonte e Canavieiras, no Litoral Sul da Bahia, ficou de fora do novo programa de governo protocolado pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT) junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as eleições de 2026. A exclusão retira formalmente das diretrizes de reeleição do Executivo estadual uma demanda histórica da região cacaueira e da Costa do Descobrimento.

No documento atual, a gestão estadual optou por concentrar seus compromissos de infraestrutura e mobilidade em grandes corredores logísticos e de integração intermodal, mantendo como prioridades centrais a construção da Ponte Salvador–Ilha de Itaparica e o avanço das obras complementares da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL).

Um histórico de 16 anos de expectativas

A promessa de erguer a ponte remonta a 2010, quando foi anunciada pelo então governador Jaques Wagner. A proposta permaneceu no discurso governista ao longo dos dois mandatos de Rui Costa (a partir de 2014) e voltou a figurar com destaque formal no plano de governo de Jerônimo Rodrigues na campanha de 2022, classificada à época como intervenção estratégica para alavancar a atividade turística e o escoamento produtivo da microrregião.

Apesar da presença recorrente nos palanques ao longo de quase duas décadas, a intervenção física nunca chegou a sair do papel. Segundo balanço divulgado pela administração estadual em julho de 2026, a iniciativa avançou apenas até a elaboração do projeto básico de engenharia do equipamento viário e da adequação do respectivo trecho da rodovia BA-001.

Foco estratégico e reação política

A retirada do compromisso repercutiu de imediato no debate eleitoral. Setores da oposição baiana, capitaneados pelo ex-prefeito de Salvador e candidato a governador ACM Neto, intensificaram as críticas ao que apontam como “déficit de entregas” das administrações petistas no interior do estado, classificando a sequência de prazos não cumpridos como frustração sistemática para os moradores locais.

Em contrapartida, interlocutores da campanha governista sustentam que a reformulação do plano reflete um critério de realismo orçamentário e priorização técnica. A tese defendida pelo grupo de Jerônimo Rodrigues é direcionar a capacidade de investimento a obras de maior escala e capilaridade territorial que já contam com modelagem financeira madura e cronogramas consolidados no estado.

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