Sem acordo com a Prefeitura, servidores da educação de Eunápolis entram em greve por tempo indeterminado.

Por admin  | 

Categoria realizou marcha até a Secretaria de Educação nesta terça-feira (3); sindicato cobra reajuste complementar e cumprimento de acordo judicial, enquanto município aponta impacto no Fundeb.

Os profissionais da rede pública municipal de ensino de Eunápolis, no extremo sul da Bahia, deflagraram greve por tempo indeterminado. Organizado pela APLB Sindicato, o movimento paredista foi confirmado após sucessivas tentativas frustradas de negociação com o Poder Executivo em torno de reajustes salariais, cumprimento de planos de carreira e melhorias nas unidades escolares.

Na manhã desta terça-feira (3), os trabalhadores realizaram uma marcha pelas ruas da cidade rumo à sede da Secretaria Municipal de Educação para dar visibilidade às pautas da categoria.

As reivindicações da categoria

Sob o lema “É greve, por que é grave!”, a APLB cobra da gestão municipal o atendimento a uma pauta que combina demandas financeiras e estruturais. Entre os principais pontos exigidos pelos servidores estão:

  • Reajuste salarial: Aplicação de um índice complementar de 12,9%, que se somaria aos 5,45% já repassados pelo município neste ano.
  • Carreira e benefícios: Pagamento de titulações e progressões horizontais já analisadas e deferidas em 2024, além da liberação de licenças-prêmio acumuladas.
  • Acordo judicial: Cumprimento de um acordo homologado pela Justiça em 2022, que estabelece a reformulação do Estatuto e do Plano de Carreira dos profissionais da educação.
  • Infraestrutura e quadro funcional: Intervenções estruturais nos prédios escolares e realização de contratações para suprir o déficit de docentes e funcionários de apoio — problema que, segundo a entidade, comprometeu o calendário letivo até meados deste ano.

Segundo o sindicato, o pacote de cobranças vem sendo apresentado à administração municipal de forma reiterada desde o início de 2025 para corrigir perdas históricas e assegurar condições mínimas de trabalho e aprendizagem.

O posicionamento da Prefeitura

Em nota oficial, a Prefeitura de Eunápolis contestou os argumentos apresentados pela APLB e declarou que mantém canais abertos de diálogo com os representantes sindicais, com encontros devidamente registrados em ata.

A administração municipal destacou que os vencimentos da categoria são quitados antecipadamente dentro do mês trabalhado e afirmou que os professores de carreira do município recebem uma remuneração média próxima a R$ 10 mil mensais. De acordo com a nota, os reajustes vinculados ao Piso Nacional do Magistério relativos aos anos de 2025 e 2026 foram integralmente aplicados.

No aspecto fiscal, o Executivo informou que o orçamento da educação municipal opera com déficit coberto pelo Tesouro:

Indicador FinanceiroValor Estimado (Ano Vigente)
Receita prevista do FundebR$ 127 milhões
Folha de pagamento da EducaçãoR$ 169 milhões
Aporte de recursos próprios da PrefeituraR$ 42 milhões

Com base nesses números, o governo local argumenta que a folha já supera a totalidade dos repasses do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), exigindo complementação de verba do tesouro municipal para manter as contas equilibradas.

Até o momento, não há previsão de nova rodada oficial de negociações entre as partes, e as aulas na rede municipal permanecem suspensas.

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