Sob pressão de pesquisas que apontam liderança de ACM Neto, Planalto discute “plano de contingência” que envolve a substituição do atual governador Jerônimo Rodrigues pelo ministro da Casa Civil.
A hegemonia de duas décadas do Partido dos Trabalhadores (PT) na Bahia enfrenta seu maior teste de estresse. Com o avanço da pré-campanha para as eleições de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a cúpula do Planalto monitoram com apreensão o cenário no estado, considerado o “porto seguro” do petismo. Segundo informações publicadas pela revista Veja neste sábado (31), a possibilidade de trocar o candidato ao governo estadual já está na mesa de discussões.
O sinal de alerta foi ligado após levantamentos internos e pesquisas de institutos como Paraná Pesquisas e Quaest indicarem que ACM Neto (União Brasil) lidera as intenções de voto para o Palácio de Ondina. Em alguns cenários de segundo turno, a vantagem do ex-prefeito de Salvador sobre o atual governador Jerônimo Rodrigues (PT) supera a margem de erro, o que acendeu o temor de um “efeito dominó” no Nordeste.
Para o governo federal, a Bahia não é apenas um estado; é o maior colégio eleitoral da região e peça fundamental para o projeto de um eventual quarto mandato de Lula. Uma derrota em solo baiano seria interpretada como um enfraquecimento simbólico e prático do projeto nacional.
A estratégia em discussão envolve deslocar o ministro da Casa Civil, Rui Costa, para a disputa estadual. Aliados do presidente defendem que Rui:
A ideia faz parte de um plano maior de Lula para 2026: escalar ministros de alto perfil (como Camilo Santana no Ceará e Fernando Haddad em São Paulo) para blindar estados estratégicos contra o avanço da oposição.
Apesar das movimentações em Brasília, o clima em Salvador é de resistência. Jerônimo Rodrigues tem reafirmado publicamente que sua candidatura à reeleição está consolidada e classifica os rumores de substituição como “infundados”. O governador aposta na entrega de obras do PAC e na sua alta aprovação administrativa — que beira os 60% — para reverter os números eleitorais.
Já Rui Costa, embora tenha anunciado que deixará a Casa Civil em abril para a desincompatibilização eleitoral, tem focado sua mira no Senado Federal. O ministro aparece como favorito absoluto para uma das duas vagas em disputa na chapa majoritária e, até o momento, nega o desejo de retornar ao Executivo estadual.
A definição oficial deve ocorrer até março, prazo final para as negociações de chapa antes da janela partidária. O PT baiano agora corre contra o tempo para melhorar o desempenho de Jerônimo nas pesquisas e evitar que a intervenção do Planalto se torne inevitável.