A administração do prefeito Girlei Lage enfrenta o que muitos já apontam como o momento mais crítico de sua gestão. Em menos de 48 horas, o município do extremo sul baiano virou palco de um colapso nos serviços essenciais, marcado pelo acúmulo de lixo nas ruas, bloqueio de rodovia federal, dependência de socorro de cidades vizinhas e uma invasão de servidores da educação na Câmara de Vereadores. A falta de respostas oficiais da Prefeitura tem alimentado o clima de indignação popular e o desgaste político do governo municipal.
O clima esquentou na última sessão da Câmara de Vereadores. Em um ato de forte simbolismo, profissionais do apoio da Educação Municipal — incluindo auxiliares de classe, cuidadores e servidores de serviços gerais — ocuparam o plenário para cobrar respostas diretas da administração pública.
Munidos de uma extensa pauta de reivindicações, os trabalhadores exigem transparência sobre os contratos de trabalho, os salários e o cumprimento da Lei Municipal nº 786/2026. A principal queixa gira em torno da disparidade e da falta de segurança jurídica enfrentada pelos profissionais contratados via processo seletivo, que exercem as mesmas funções que os servidores efetivos, mas alegam receber tratamento e remuneração inferiores.
“Não estamos buscando privilégios, estamos exigindo respeito, valorização e um canal permanente de diálogo que a Prefeitura simplesmente nos nega”, desabafou um dos manifestantes na galeria da Casa Legislativa.
A categoria agora exige a criação de uma mesa permanente de negociação envolvendo a Prefeitura, a Secretaria de Educação, a Câmara e os representantes dos trabalhadores para evitar que a insatisfação resulte em uma paralisação total das atividades.
Se a educação clama por socorro na Câmara, as ruas de Cabrália exalam o abandono administrativo. Na última segunda-feira (01/06), o serviço de coleta de resíduos sólidos da cidade entrou em colapso definitivo, reflexo de graves problemas em processos licitatórios e contratuais da gestão de Girlei Lage.
A situação limite provocou a revolta dos moradores do distrito de Vila Orádia, que relatam estar há mais de 15 dias sem o recolhimento de lixo. No domingo (31/05), a comunidade interditou os dois sentidos da BR-367, espalhando sacos de detritos e entulho na pista sob forte protesto contra o mau cheiro e os riscos à saúde pública.
O caos gerou um reflexo diplomático e operacional inédito na região:
A incapacidade da gestão em gerir contratos básicos não se restringe à limpeza pública. A educação do município sofre com o mesmo padrão de dependência de outras prefeituras devido ao abandono da infraestrutura escolar.
No distrito de Ponto Central, a escola local segue de portas fechadas, sem previsão de reformas ou funcionamento. Como resultado, estudantes de Cabrália são obrigados a se deslocar diariamente até o distrito de Barrolândia — que pertence ao município vizinho de Belmonte — para conseguir assistir às aulas.
Até o fechamento desta reportagem, a gestão do Prefeito Girlei Lage não havia emitido nenhum posicionamento oficial para esclarecer os problemas na licitação do lixo, apresentar o cronograma de reformas escolares ou responder às cobranças dos servidores na Câmara. O espaço segue aberto para manifestações da administração municipal.