O futuro econômico e industrial de Belmonte, no Extremo Sul da Bahia, ganhou um cronograma oficial de partida e endereço confirmado. O Prefeito Iêdo Elias anunciou oficialmente que a cerimônia de inauguração da pedra fundamental, que marca o início das obras para a instalação da histórica fábrica de vidro solar na região, foi agendada para o mês de novembro. O complexo industrial de alta tecnologia será erguido no distrito de Santa Maria Eterna.
A data inicial para o evento estava prevista para o próximo dia 16 de junho, mas foi adiada a pedido do Governo do Estado da Bahia para ajustes estratégicos de agenda. O anúncio consolida o início prático de uma transformação bilionária comandada pela mineradora canadense Homerun Resources, em parceria com a Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM). O empreendimento, batizado de projeto “Brasil Transparente”, prevê um investimento estimado em R$ 1,8 bilhão e será a primeira fábrica desse tipo fora da China, quebrando um monopólio global no setor de transição energética.
O impacto social e econômico do projeto começará a ser sentido de forma imediata na região com a abertura de frentes de trabalho. De acordo com as projeções do empreendimento, a expectativa é que sejam gerados cerca de 2.500 postos de trabalho no total, divididos entre as fases de construção e operação em Santa Maria Eterna.
Desse montante, serão 500 empregos diretos e outros 2.000 empregos indiretos. A expressiva demanda por mão de obra especializada criará um fluxo imediato de técnicos, engenheiros e operários, movimentando o mercado de trabalho local e impulsionando a qualificação profissional dos próprios moradores da região, por meio de contrapartidas sociais e fundos de educação previstos pela empresa.
Se o final de 2026 será marcado pelo pontapé inicial das obras, os olhos das finanças públicas estão voltados para o horizonte de 2027. É a partir deste período que a engrenagem arrecadatória de Belmonte mudará definitivamente de patamar, transformando uma economia historicamente dependente de verbas externas (que antes representavam 92,69% das receitas da cidade) em um polo industrial sustentável.
A escolha do distrito de Santa Maria Eterna ocorreu devido a um ativo natural estratégico: a região abriga uma megajazida de areia silicosa com impressionantes 99,6% de pureza de dióxido de silício (SiO2). Quando a planta estiver operando a pleno vapor, gerando 365 mil toneladas anuais de vidro solar, o faturamento bruto estimado da unidade poderá atingir US$ 273 milhões ao ano (mais de R$ 1,4 bilhão).
Essa movimentação bilionária vai impactar diretamente a receita pública municipal a partir de 2027 em três frentes:
O avanço estratégico ganhou musculatura técnica com a conclusão das estimativas de custos de capital (CAPEX) para a Fase 1 da Planta de Purificação, fixado em US$ 9.384.743 (aproximadamente R$ 50 milhões).
O complexo industrial ocupará uma área de 9 hectares em Santa Maria Eterna. Entre os diferenciais do desenho técnico, desenvolvido pela empresa de engenharia MIE, destaca-se um domo de armazenamento primário com 52 metros de diâmetro. O circuito físico incluirá etapas de lavagem, classificação, peneiramento e secagem, garantindo a uniformidade e a alta pureza exigidas pelo mercado de tecnologia internacional.
A unidade faz parte de uma estratégia de verticalização inédita no país: a areia extraída será purificada no local para abastecer diretamente a futura fábrica de vidro solar extra-claro e fornecer insumos de altíssimo valor agregado (graus 4N e 5N) para o setor global de microeletrônica e semicondutores. Com o início oficial das obras selado para novembro, Belmonte se posiciona de forma sólida na vanguarda da neoindustrialização e do desenvolvimento socioeconômico da Bahia.