Após a repercussão de uma série de reportagens denunciando atrasos salariais, falta de materiais e impasses contratuais no Hospital Regional Deputado Luís Eduardo Magalhães, a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) quebrou o silêncio. Em nota oficial enviada à imprensa, a pasta estadual esclareceu a situação e assegurou que nenhum profissional ficará sem receber.
O posicionamento ocorre em meio a um forte descontentamento do corpo clínico. Enquanto o hospital se prepara para inaugurar uma nova ala de atendimento, os bastidores revelam uma realidade de extrema instabilidade.
De acordo com relatos colhidos com exclusividade, os médicos que atuam na unidade de saúde afirmam estar há três meses sem receber pelos serviços prestados. A crise ganhou força durante a transição de gestão do hospital, que até a primeira quinzena de junho estava sob a responsabilidade do Instituto Setes e agora passa a ser administrado pela organização social S3.
Além do calote temporário, os profissionais enfrentam um impasse burocrático. Eles ainda não assinaram os novos contratos de trabalho porque rejeitam a proposta feita pela nova gestora. Segundo as denúncias, a S3 propôs a retenção de 16% dos honorários médicos para a administração da empresa — um percentual que a categoria classifica como abusivo, visto que a média praticada no mercado gira em torno de 8%.
Somado aos problemas financeiros, os trabalhadores alertam para a falta crônica de insumos e materiais básicos, o que tem comprometido a qualidade do atendimento à população.
Em nota, a Sesab informou que está acompanhando de perto a transição da gestão e garantiu que todos os direitos trabalhistas serão integralmente cumpridos.
“Nenhum trabalhador ficará sem receber os valores referentes às rescisões trabalhistas de quem possuía vínculo com o Instituto Setes”, afirmou a secretaria.
De acordo com o balanço divulgado pela pasta:
A secretaria ressaltou ainda que está adotando todas as medidas legais e administrativas necessárias, em conjunto com a atual gestora (S3), para regularizar os fluxos financeiros e garantir a manutenção dos serviços na unidade.
Apesar das garantias formais apresentadas pelo Governo do Estado, o clima entre os profissionais ainda é de cautela e expectativa. Para o corpo médico, as promessas da nota oficial precisam se traduzir, com urgência, em dinheiro na conta e na melhoria imediata das condições de trabalho e abastecimento do hospital.
O espaço segue aberto para que a nova gestora, S3, se manifeste sobre o percentual de retenção de honorários criticado pelos médicos.