Pesquisas eleitorais na Bahia mostram cenários opostos entre Jerônimo Rodrigues e ACM Neto.

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Levantamentos divulgados em agosto apresentam resultados bastante diferentes para a disputa pelo Governo da Bahia; diferença pode estar relacionada à metodologia, ao período de coleta e à composição das amostras

A corrida pelo Governo da Bahia ganhou novos contornos nesta segunda-feira (24) com a divulgação de uma pesquisa do Instituto Opnus que aponta vantagem do governador Jerônimo Rodrigues (PT) sobre o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil). O resultado contrasta de forma significativa com levantamento divulgado no sábado (22) pelo Instituto Veritá, que colocou Neto na liderança com uma vantagem de mais de 20 pontos percentuais sobre o petista.

Os dois levantamentos foram realizados praticamente no mesmo período, mas apresentam resultados bastante distintos, especialmente no cenário estimulado e na simulação de segundo turno. A diferença entre as pesquisas chama atenção e mostra que a disputa permanece aberta, além de evidenciar como metodologia, período de coleta e composição da amostra podem influenciar os resultados.

Opnus aponta equilíbrio e vantagem numérica de Jerônimo

Contratada pelo site BNews, a pesquisa Opnus ouviu presencialmente 1.200 eleitores em toda a Bahia entre os dias 17 e 22 de agosto. O levantamento tem margem de erro de três pontos percentuais e está registrado no TSE sob o número BA-04472/2026. No cenário espontâneo, quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, Jerônimo Rodrigues aparece com 35% das intenções de voto, contra 30% de ACM Neto. Outros candidatos somam 2%, enquanto 5% afirmaram votar branco ou nulo e 28% não souberam ou não responderam.

Na pesquisa estimulada, o cenário também é favorável numericamente ao governador, mas dentro da margem de erro. Com José Estêvão (DC) entre os candidatos, Jerônimo aparece com 43%, contra 40% de ACM Neto. Já no cenário com Ariel Capistrano (DC), o petista registra 42%, enquanto Neto chega a 41%.

Isso significa que, nos dois cenários estimulados testados pelo Opnus, a diferença entre os dois principais candidatos é pequena o suficiente para caracterizar empate técnico.

Segundo turno também aparece apertado

O equilíbrio se repete na simulação de segundo turno. Segundo o Opnus, Jerônimo Rodrigues teria 45% contra 44% de ACM Neto. Brancos e nulos somariam 5%, enquanto 6% não souberam ou não responderam.

Na prática, a diferença de apenas um ponto percentual está muito abaixo da margem de erro de três pontos. Portanto, estatisticamente, o levantamento não permite afirmar que um dos candidatos esteja efetivamente à frente nesse cenário.

Veritá apresenta quadro completamente diferente.

O levantamento do Instituto Veritá, por outro lado, desenha uma disputa com vantagem expressiva para ACM Neto. Realizada entre os dias 15 e 19 de agosto, a pesquisa ouviu 2.020 eleitores da Bahia e possui margem de erro de 2,5 pontos percentuais. O levantamento está registrado no TRE-BA sob o número BA-02806/2026.

No cenário estimulado, ACM Neto aparece com 56,1%, enquanto Jerônimo Rodrigues registra 35,8%. A diferença chega a 20,3 pontos percentuais. Ronaldo Mansur (PSOL) aparece com 1,2%, outros candidatos somam 1,5% e 5,4% não souberam responder ou declararam voto branco ou nulo. Na pesquisa espontânea, a vantagem de Neto também aparece, embora menor. O ex-prefeito de Salvador registra 27,4%, contra 16,5% de Jerônimo. Outros nomes aparecem de forma residual, enquanto 55,2% dos entrevistados não souberam responder ou declararam branco ou nulo.

Diferença fica ainda maior no segundo turno

O contraste entre os levantamentos é ainda mais evidente quando são comparados os cenários de segundo turno. Enquanto o Opnus aponta 45% para Jerônimo e 44% para Neto, o Veritá registra 57,2% para ACM Neto contra 36,8% para o governador. A diferença entre os dois candidatos, portanto, chega a 20,4 pontos percentuais no levantamento do Veritá, enquanto no Opnus o governador aparece numericamente à frente por apenas um ponto.

O Veritá também testou confrontos envolvendo Ronaldo Mansur. Contra o candidato do PSOL, ACM Neto aparece com 61,8%, enquanto Mansur tem 8,9%. Já em um eventual segundo turno entre Jerônimo e Mansur, o governador registra 41,1%, contra 9,1% do candidato do PSOL.

Por que os resultados são tão diferentes?

A principal questão levantada pelos dois levantamentos é entender por que pesquisas realizadas com poucos dias de diferença apresentam fotografias tão distintas do eleitorado baiano. É importante observar, primeiro, que as pesquisas foram realizadas em períodos diferentes. O Veritá coletou entrevistas entre 15 e 19 de agosto, enquanto o Opnus realizou seu trabalho entre 17 e 22 de agosto. Há, portanto, sobreposição de três dias, mas também três dias adicionais de coleta no levantamento mais recente.

Outro fator é o tamanho da amostra. O Veritá entrevistou 2.020 pessoas, enquanto o Opnus ouviu 1.200 eleitores. As margens de erro também são diferentes: 2,5 pontos percentuais no Veritá e três pontos no Opnus. Entretanto, essas diferenças, isoladamente, não explicam uma distância de mais de 20 pontos percentuais. A discrepância sugere que outros componentes metodológicos — como distribuição regional da amostra, perfil socioeconômico dos entrevistados, critérios de ponderação, forma de abordagem e formulação das perguntas — podem ter influência importante nos resultados. Também é necessário considerar que pesquisas eleitorais são fotografias de um determinado momento e não previsões do resultado final da eleição. Quando diferentes institutos produzem retratos tão distintos, a tendência mais prudente é evitar a leitura de que um único levantamento representa, isoladamente, a realidade definitiva da disputa.

O que os números permitem afirmar?

Apesar da enorme diferença entre os resultados, há um ponto de convergência: nenhuma das duas pesquisas deve ser interpretada como resultado definitivo da eleição.

O Opnus mostra uma disputa extremamente equilibrada, com Jerônimo numericamente à frente nos cenários espontâneo, estimulado e de segundo turno. Já o Veritá apresenta uma vantagem ampla de ACM Neto tanto no primeiro quanto no segundo turno. A comparação entre os dois levantamentos revela, portanto, uma eleição cujo retrato estatístico está longe de ser consensual.

Outro dado relevante é a diferença observada na pesquisa espontânea. No Opnus, Jerônimo tem 35% e Neto 30%, enquanto no Veritá Neto aparece com 27,4% e Jerônimo com 16,5%. Como a pesquisa espontânea não apresenta os nomes dos candidatos, o nível de lembrança ou definição do eleitor pode variar significativamente conforme a metodologia utilizada.

Eleição permanece em disputa

Os números divulgados em agosto mostram duas fotografias muito diferentes da sucessão estadual. De um lado, o Opnus aponta uma corrida acirrada, com diferença mínima entre Jerônimo Rodrigues e ACM Neto. De outro, o Veritá identifica uma vantagem confortável do candidato do União Brasil. A divergência reforça a necessidade de acompanhar a série de pesquisas dos próximos meses, observando não apenas quem aparece na liderança, mas também a evolução dos índices de rejeição, do eleitorado indeciso e dos votos brancos e nulos.

Com a eleição ainda em andamento e diante de resultados tão discrepantes, o cenário mais seguro é considerar que a disputa entre Jerônimo Rodrigues e ACM Neto permanece aberta e que os próximos levantamentos serão fundamentais para indicar se existe uma tendência consolidada ou apenas oscilações provocadas pelas diferentes metodologias de pesquisa.

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