Porto Seguro estrutura Rota Negra – Povos de Terreiro para fortalecer o afroturismo e valorizar a ancestralidade.
Com 15 terreiros mapeados, iniciativa une turismo e respeito às tradições de matriz africana em visitas orientadas e vivências culturais.
Reconhecida historicamente pelas praias e pelo patrimônio colonial, a cidade de Porto Seguro dá passos concretos para diversificar sua oferta turística e valorizar a memória afro-brasileira. A criação da Rota Negra – Povos de Terreiro pretende conectar moradores e visitantes à ancestralidade, à fé e aos saberes das comunidades tradicionais locais. Um levantamento preliminar identificou 15 casas religiosas interessadas em compor a rota oficial de afroturismo do município.
A iniciativa é liderada pela Superintendência de Promoção da Igualdade Racial, órgão ligado à Secretaria de Governo, em parceria direta com a Secretaria Municipal de Turismo. A proposta baseia-se na escuta ativa: foram as próprias lideranças comunitárias que informaram sua localização, as vivências que podem proporcionar e os limites do que desejam compartilhar com o público externo.
Distribuição e vivências culturais
O mapeamento inicial contempla terreiros espalhados por diferentes regiões do território municipal, incluindo Trancoso, Arraial d’Ajuda, o Litoral Norte e a sede urbana, além de outras localidades. Do total cadastrado, dez espaços estão situados na zona rural e cinco na área urbana — dados que ainda passarão por checagem in loco.
O roteiro reúne terreiros de Candomblé, de Umbanda e uma casa de perfil ecumênico. Longe de espetacularizar os ritos sagrados, o projeto prioriza trocas culturais e educativas. Entre as experiências propostas estão:
- Rodas de conversa e memória oral;
- Gastronomia tradicional de terreiro;
- Apresentações e oficinas de dança afro;
- Artesanato e produção de fios de contas e costura;
- Oficinas sobre o uso tradicional de ervas e defumações.
Preparação e acolhimento
O cadastro atual abrange exclusivamente os espaços que manifestaram interesse espontâneo em participar. Entre as 15 casas, 13 já relataram histórico de recepção de visitantes.
Cinco delas já realizam visitas guiadas ou orientadas: Ile Axe D’Omim, Ilê Axé Opô Obá Awooloyá, Unzo de Nkosi de Raiz Amburaxó, Ile Barú Obafunjô e Ile Aira Modé Afefe Ajagunan. Em todos os casos, a visitação depende de agendamento prévio diretamente com a comunidade.
Para garantir a preservação do espaço sagrado e a qualidade da recepção, todas as instituições cadastradas passarão por uma etapa de visitas técnicas e qualificação.
“Serão avaliados atendimento, horários, agendamento, acessibilidade, estrutura, valores e regras de fotos, filmagens e circulação”, explica o superintendente de Promoção da Igualdade Racial, Danilo Souza.
Mapa oficial e agendamento
A integração ao roteiro definitivo ocorrerá apenas após essa fase de diagnósticos e adequações. Segundo o secretário de Turismo de Porto Seguro, Guto Jones, a conclusão dos trabalhos resultará no lançamento de um mapa oficial. A ferramenta trará os dados das casas homologadas, as atividades disponíveis em cada ponto e as orientações necessárias para que turistas e pesquisadores façam o agendamento prévio com segurança e respeito aos ritos da comunidade.

