Por Redação | 8 de junho de 2026
O plano para transformar o sul da Bahia em um polo de tecnologia de ponta e transição energética global deu um passo decisivo. A mineradora canadense Homerun Resources Inc. anunciou a conclusão da estimativa de custos de capital (CAPEX) para a construção de sua planta de processamento de areia sílica de grau industrial (3N) no hub industrial Santa Maria Eterna (SME), em Belmonte. O investimento total para tirar a unidade do papel foi fixado em US$ 9.384.743. Com capacidade projetada para processar 350.000 toneladas por ano (cerca de 50 toneladas por hora), a planta representa a Fase 1 da Plataforma Integrada de Purificação em Três Etapas da companhia. O objetivo final é audacioso: consolidar a região como o “Vale da Sílica da Bahia”.
No ambiente corporativo e de mineração, a sigla CAPEX vem do inglês Capital Expenditure (em português, Despesas de Capital ou Investimento em Bens de Capital). Ele representa o montante financeiro investido na aquisição de bens físicos que vão gerar valor para a empresa no longo prazo — como a compra de terrenos, construção de prédios, maquinários e instalações industriais. Diferente dos custos operacionais do dia a dia (chamados de OPEX), o CAPEX define o fôlego financeiro e a escala inicial de um grande empreendimento. A definição exata desses valores é crucial por três motivos principais:
O orçamento detalhado pela Homerun reflete o foco na infraestrutura robusta necessária para o refino físico do mineral de alta tecnologia, tendo o maquinário como o maior peso financeiro:
| Linha de Investimento | Valor (em USD) |
|---|---|
| Obras Civis | $ 891.000 |
| Mão de Obra e Serviços Públicos | $ 935.000 |
| Canteiro de Obras | $ 239.000 |
| Nova Planta | $ 535.000 |
| Equipamentos de Processamento e Instalações | $ 5.899.776 |
| Impostos e Taxas | $ 884.966 |
| TOTAL CONSOLIDADO | $ 9.384.743 |
Este marco representa muito mais do que a abertura de uma planta industrial isolada. O avanço estabelece a base operacional para uma estratégia de verticalização inédita no país, transformando o recurso mineral bruto em uma cadeia de valor de materiais avançados. A planta foi desenhada para receber a areia sílica das jazidas locais da Homerun — reconhecidas pelo baixíssimo teor de ferro — e transformá-la no produto purificado 3N. Esse insumo terá três destinos estratégicos:
Em nota, o Diretor de Operações (COO) da empresa, Armando Farhate, reforçou o posicionamento de liderança do ativo: “Estamos avançando rapidamente em nossa rota de desenvolvimento. Nosso plano é que esta seja uma das areias sílicas industriais de maior qualidade no Brasil. A produção desta planta vai apoiar diretamente nossa estratégia de integração vertical e fornecer alimentação limpa para nossas iniciativas de materiais avançados no Hub Industrial.”
O movimento da Homerun é acompanhado de perto pelo mercado internacional. Nos últimos dois anos, a empresa vem costurando bases técnicas e comerciais para erguer uma das poucas plataformas de purificação de sílica do mundo projetadas para criar segurança de suprimento fora da China — país que hoje detém o quase monopólio do refino de componentes para painéis fotovoltaicos.
O desenho técnico preliminar, desenvolvido pela empresa de engenharia MIE e concluído em 5 de junho de 2026, detalha que o complexo ocupará uma área de 9 hectares em Belmonte. Entre os diferenciais de engenharia planejados está um domo de armazenamento primário com 52 metros de diâmetro. O circuito de processamento físico incluirá etapas de lavagem, classificação, peneiramento, secagem e atração por atrito, garantindo a uniformidade e a pureza que o mercado de tecnologia exige.
Com o orçamento de CAPEX consolidado, o projeto se posiciona de forma sólida na vanguarda da neoindustrialização brasileira, conectando mineração, tecnologia e transição energética.