Morte de bebê em hospital de Porto Seguro volta a expor gargalos da fila da regulação na Bahia.
Noah Gomes de Souza aguardava transferência para uma unidade de terapia intensiva pediátrica quando teve uma piora repentina no Hospital Regional de Porto Seguro.
ITABELA / PORTO SEGURO — A morte precoce do pequeno Noah Gomes de Souza, de apenas 1 ano e 7 meses, gerou forte comoção no município de Itabela e trouxe novamente ao centro dos debates a eficácia do sistema de regulação de leitos do Estado da Bahia. O menino faleceu na manhã desta terça-feira (18), após sofrer uma piora súbita em seu quadro clínico enquanto aguardava transferência para uma unidade com Unidade de Terapia Intensiva (UTI) especializada.
O drama familiar começou em Itabela, onde Noah recebeu os primeiros atendimentos médicos. Com o agravamento dos sintomas, os responsáveis decidiram encaminhá-lo por conta própria ao Hospital Estadual Luiz Eduardo Magalhães (HDLEM), localizado em Porto Seguro, onde o paciente deu entrada por volta das 13h de segunda-feira (17).
A espera na regulação estadual
Já no hospital regional, a equipe médica constatou a gravidade do quadro e a necessidade urgente de transferência para um leito de maior complexidade.
A cronologia dos fatos, segundo os familiares, detalha o tempo de espera:
- Segunda-feira (17), ~13h: Entrada e internação no HDLEM, em Porto Seguro.
- Terça-feira (18), 01h24: Inserção oficial do pedido na Central Estadual de Regulação (CER-BA), sob a ocorrência nº 5011548.
- Madrugada: Paciente permanece em observação aguardando a liberação de vaga.
- Terça-feira (18), ~08h: Confirmação de vaga e autorização para transferência com destino ao Hospital Ramos.
Piora clínica antes do traslado
Apesar da autorização obtida nas primeiras horas da manhã, Noah não teve tempo de ser transferido. No momento exato em que a logística para o traslado era organizada, a criança sofreu uma parada ou descompensação clínica severa.
Os médicos de plantão iniciaram manobras imediatas de reanimação e estabilização, mas o menino não resistiu à gravidade do quadro e teve o óbito confirmado na própria unidade.
Família cobra respostas
Abalados, os familiares denunciam morosidade no processo de regulação e cobram explicações formais sobre as condutas adotadas desde a triagem inicial até a tentativa de transferência. Para a família, a demora na liberação de um leito adequado foi decisiva para o desfecho trágico.
“A perda de Noah expõe o drama diário de quem depende da fila de regulação na Bahia. Queremos respostas claras sobre a assistência prestada ao nosso filho”, desabafam parentes.
Até o momento do fechamento desta matéria, a direção do Hospital Estadual Luiz Eduardo Magalhães e a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) não emitiram nota oficial detalhando o quadro clínico inicial do paciente ou a gestão da vaga solicitada. O espaço segue aberto para manifestação dos órgãos citados.

