Jerônimo Rodrigues defende legado na Educação, nega “aprovação automática” e diz que regulação da saúde não é “fila da morte”.
Em entrevista ao programa BNews, governador da Bahia detalhou investimentos do Estado, cobrou corresponsabilidade dos municípios e denunciou armações políticas contra o sistema de saúde.
Durante sabatina realizada pela bancada do BNews, transmitida pela rádio Baiana FM, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), abordou temas centrais de sua gestão e respondeu a questionamentos sobre os principais desafios do estado, com destaque para a saúde pública e os índices da educação estadual.
Saúde e Regulação
Questionado pelo jornalista Zé Eduardo sobre a fila da regulação — classificada por setores da oposição como “fila da morte” —, Jerônimo rebateu a terminologia e repudiu o uso político do tema. O governador revelou que o governo estadual acionou a Procuradoria Geral do Estado (PGE) e a Secretaria da Saúde (Sesab) para apurar episódios recentes de suposta encenação política:
“Houve uma simulação de pessoas que chegaram ao Hospital do Subúrbio sendo jogadas ao chão, com gritos, e depois as câmeras mostraram essas pessoas se levantando normalmente e indo embora”, relatou Jerônimo.
O chefe do Executivo baiano frisou que a superlotação dos leitos de alta complexidade decorre, em grande parte, da fragilidade da atenção básica e da ausência de hospitais municipais em grandes centros. Jerônimo citou nominalmente Feira de Santana como exemplo de município que não possui hospital próprio da rede municipal.
Para contrapor o cenário, Jerônimo destacou os investimentos estaduais:
- Entrega de 15 novos hospitais nos últimos anos;
- Construção em andamento de mais 8 unidades hospitalares;
- Apoio técnico e financeiro às prefeituras para reforço da atenção básica.
Educação: Fim do estigma da “aprovação automática”
Ao responder ao jornalista Henrique Brinco sobre a recomendação do Ministério Público referente à progressão escolar e os boatos de “aprovação automática”, Jerônimo foi enfático ao negar a existência da prática:
“Não existe aprovação automática e não vai existir enquanto eu for governador. O que existe é uma progressão condicionada, com recuperação de conteúdos ao longo do ano para quem não atingiu a média em disciplinas específicas.”
O governador também elencou os avanços estruturais da rede estadual, ressaltando a entrega de quase 800 escolas de tempo integral, a remuneração dos professores acima do piso salarial nacional e a expansão do ensino profissionalizante e superior.
Desempenho no IDEB e Legado Histórico
Interpelado pelo jornalista Eduardo Costa sobre a posição da Bahia nos rankings nacionais de avaliação (como o Ideb e o Enem), mesmo após quase duas décadas de governos do Partido dos Trabalhadores, Jerônimo sustentou que os avanços educacionais exigem tempo e solidez na base infantil e fundamental — competências prioritárias das redes municipais.
Jerônimo relembrou sua própria trajetória, vindo da zona rural de Aiquara e tendo que se deslocar a Jequié e a outras cidades por falta de oferta educacional no passado, comparando a realidade histórica com a interiorização universitária ocorrida a partir dos mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (com a criação de instituições como a UFRB, Univasf e Unilab).
“As notas e indicadores não sobem por mágica. Se a criança não tiver uma boa creche e um Ensino Fundamental bem estruturado pelo município, ela não chegará ao Ensino Médio com a base necessária. Por isso, continuaremos investindo e apoiando os municípios para fortalecer essa base”, concluiu.

