Às vésperas da alta temporada, licitação para reforma do Aeroporto de Porto Seguro fracassa.
Sem empresas habilitadas para a obra de R$ 4,2 milhões no pátio de aeronaves, segundo maior terminal da Bahia deve enfrentar o pico do verão sem intervenções estruturais.
A poucas semanas do início do período de maior fluxo turístico do ano, o Aeroporto Internacional de Porto Seguro continuará sem as obras de recuperação do pátio de aeronaves. A Secretaria de Infraestrutura do Estado da Bahia (Seinfra) declarou fracassada a licitação aberta para contratar a empresa responsável pelos serviços. A decisão foi oficializada na edição de sexta-feira (30) do Diário Oficial do Estado (DOE).
Segundo o documento oficial, todas as companhias participantes foram inabilitadas ou desclassificadas por não atenderem às exigências técnicas ou documentais estipuladas no edital. No âmbito da administração pública, o certame é denominado “fracassado” quando há concorrentes cadastrados, mas nenhum reúne os requisitos legais necessários para a homologação do contrato.
O projeto prevê um investimento superior a R$ 4,2 milhões pelo Governo da Bahia. O foco da intervenção é o pátio de manobras, setor crítico onde ocorrem os procedimentos de embarque, desembarque, reabastecimento e posicionamento das aeronaves para decolagem. A área sofre constante desgaste mecânico decorrente do peso das frotas e do tráfego de equipamentos de apoio em solo.
Gargalo no auge do turismo
Considerado pela própria Seinfra o segundo terminal mais movimentado do estado, o aeroporto é o principal vetor de acesso à Costa do Descobrimento, atendendo polos como Arraial d’Ajuda, Trancoso e Caraíva. Entre dezembro e março, a oferta de voos e a circulação de passageiros atingem os picos anuais.
Embora o terminal seja gerido pela concessionária Socicam Infraestrutura e Participações — que assumiu a concessão em junho de 2026 após período de contrato emergencial —, a reforma do pátio é uma responsabilidade direta do poder público estadual.
Cenário de indefinição
O DOE não fixou prazos nem indicou a publicação imediata de um novo edital. O trâmite padrão da gestão pública diante de licitações fracassadas envolve a revisão das diretrizes do certame para posterior relançamento ou adoção de mecanismos legais alternativos previstos na legislação de compras públicas.
Diante do calendário administrativo e dos prazos regulamentares para recursos e execução, o terminal deve operar durante todo o verão de 2026/2027 sem as intervenções. O atraso retoma as discussões sobre a infraestrutura logística da região, cuja demanda atual também pressiona os planos ainda sem cronograma para a construção do futuro Aeroporto Internacional da Costa do Descobrimento.

